ECONOMIA


Produção industrial brasileira caiu 1,8% em junho, aponta IBGE

Resultado fica abaixo das expectativas do mercado; especialista indica necessidade de investimentos contínuos o setor

Foto: Carla Ornelas/Gov-BA

A produção industrial brasileira registrou queda de 1,8% em junho na comparação com o mês anterior. Os dados constam na Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (4). O índice ficou abaixo das estimativas do mercado financeiro, que projetavam recuo médio de 0,7% para o período.

A retração alcançou as quatro grandes categorias econômicas pesquisadas: bens de consumo semi e não duráveis, (-4,1%), bens de consumo duráveis (-3,2%), bens de capital (-1,1%) e bens intermediários (-1,1%). Do total de 25 setores analisados, 16 apresentaram taxa negativa. A maior variação ocorreu no segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com redução de 5,9%.

Apesar do declínio mensal, o setor apresentou crescimento de 1,7% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos primeiros seis meses, a produção registrou alta de 1,5%. No indicador referente aos últimos 12 meses, a expansão acumulada ficou em 0,7%.

O presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo (Sindecon), Carlos Eduardo de Oliveira Jr., avaliou que a retomada do crescimento do setor exige planejamento estrutural. “A recuperação de capacidades produtivas, o avanço tecnológico e a modernização das cadeias industriais exigem investimentos contínuos e um horizonte de médio e longo prazos”, afirmou o economista.

Carlos Eduardo pontuou que a defasagem tecnológica do país não ocorre de forma homogênea. De acordo com o analista, o país dispõe de polos competitivos em segmentos como aeronáutica, agronegócio, petróleo, biocombustíveis e serviços financeiros digitais. “O desafio brasileiro não é apenas aumentar a produção, mas acelerar investimentos em inovação, qualificação profissional e transformação digital para elevar a competitividade de longo prazo”, declarou.

Em nota oficial, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) destacou fatores de pressão sobre a atividade produtiva. A entidade citou o patamar da taxa de juros, o comprometimento da renda das famílias, o custo do crédito, a alta do preço do petróleo e a concorrência de produtos importados. O texto mencionou também as incertezas globais associadas a novas tarifas comerciais dos Estados Unidos. Em sentido oposto, a Fiesp apontou a estabilidade do mercado de trabalho e o avanço dos investimentos públicos subnacionais como elementos de sustentação da indústria.

O índice de junho marca o segundo resultado negativo consecutivo do setor industrial, após recuo de 0,2% apurado no mês de maio. No âmbito internacional, a escalada de tensões geopolíticas e o aumento de barreiras tarifárias por parte do governo norte-americano influenciaram os custos de insumos e o comércio exterior no primeiro semestre.