ECONOMIA


Move Brasil empaca e consome apenas 7,3% do crédito de R$30 bi

Recusa de bancos privados, entraves no fundo garantidor e endividamento da categoria dificultam acesso ao programa do governo para trabalhadores autônomos

Foto: Reprodução/Uber

Um mês após o seu lançamento, o Move Brasil — programa do governo federal criado para financiar a renovação de frota de taxistas e motoristas de aplicativo — registra um desempenho abaixo do esperado. Dos R$30 bilhões reservados para a linha de crédito intermediada pelo BNDES, a demanda contratada até o final de julho somou R$2,2 bilhões, o que representa 7,3% do total disponível.

O resultado é acompanhado pelo Palácio do Planalto. O programa foi desenhado como parte da agenda de aproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a categoria de trabalhadores de mobilidade. A proposta contempla financiamentos para veículos novos e seminovos, a partir do ano-modelo 2024, com teto fixado em até R$150 mil.

Entraves no crédito bancário

O principal empecilho para a concessão dos recursos ocorre na ponta final do atendimento nas agências. Um levantamento da Federação Nacional dos Sindicatos de Motoristas de Aplicativos (Fenasmapp), realizado com 1.551 profissionais, indica que 46,1% dos entrevistados relatam que as instituições financeiras analisam os pedidos com as exigências de um financiamento tradicional, sem considerar a existência do fundo garantidor do Move Brasil.

A pesquisa aponta ainda que 23,5% dos motoristas relataram falhas na integração operacional entre os bancos e o BNDES. Paralelamente, 19,5% das reclamações citam a exigência de parcelas de entrada, enquanto os 9,8% restantes mencionam critérios internos das instituições ou restrições no histórico bancário.

Somam-se ao quadro a taxa de inadimplência, o endividamento prévio e os critérios de comprovação de renda para trabalhadores autônomos. Entre os profissionais que obtêm a aprovação do financiamento, há relatos de demora na liberação final dos veículos.

Atuação das instituições financeiras

O nível de adesão reflete a postura divergente no setor financeiro. Bancos privados como Itaú e Bradesco optaram por não aderir à iniciativa, citando a exposição ao risco de inadimplência associado à variação de renda da categoria.

Diante disso, o governo direcionou a execução da linha para os bancos públicos. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil assumiram as operações, firmando parcerias com plataformas de mobilidade urbana e oferecendo incentivos, como programas de cashback, para atrair os motoristas e expandir as contratações.