ECONOMIA


Recuperações judiciais crescem 71% e crise chega aos pequenos produtores

Levantamento mostra que produtores rurais respondem por três em cada quatro recuperações judiciais do setor; Soja é principal foco da crise

Foto: Reprodução/Redes socias

 

O agronegócio se consolidou como o principal foco das recuperações judiciais no país no primeiro semestre deste ano. Um levantamento da RGF Associados/BizDoc mostra que o setor atuou em 1.304 CNPJs em recuperação judicial, com liquidação de 71,4% em 12 meses, além de crescimento de 25,4% apenas no primeiro semestre.

Considerando toda a cadeia produtiva, o universo chega a aproximadamente 1.620 CNPJs, ou equivalente a um em cada cinco processos de recuperação judicial no Brasil.

Segundo os realizadores do levantamento, antes, as recuperações judiciais eram concentradas em grandes agroindústrias, mas hoje predominam produtores rurais e pequenas empresas.

“Historicamente, quem recorria à recuperação judicial eram as grandes corporações, porque tinham estrutura jurídica e financeira para isso. Depois da mudança da legislação em 2020 e da consolidação das decisões dos tribunais, escritórios menores passaram a oferecer esse serviço”, afirma Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF.

Segundo ele, os dados mostram uma mudança estrutural no perfil dos devedores.
“As microempresas, pequenas empresas e empresários individuais apresentam uma curva ascendente muito mais forte do que as grandes empresas”, pontuou.

O levantamento aponta que a soja é o principal foco da crise, talvez por ser o motor do agronegócio nacional. São 612 produtores de soja em recuperação judicial, praticamente metade de todos os casos do setor.

O número dobrou em um ano, com crescimento de 101%, e representa uma incidência de 21,8 recuperações judiciais para cada mil produtores ativos, cerca de 70 vezes acima da média nacional. “O produtor de soja passou por duas safras com a margem deprimida, e os preços internacionais não ajudam”, diz Damasceno.