ECONOMIA


Dia dos Pais: comércio baiano prevê estabilidade nas vendas em meio a juros altos e endividamento

A Fecomércio-BA estima que o desempenho de agosto será semelhante ao registrado no mesmo período de 2025

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

As vendas do comércio baiano no Dia dos Pais devem ficar estáveis em 2026, segundo projeção da Fecomércio-BA. A entidade estima que o desempenho de agosto será semelhante ao registrado no mesmo período de 2025, em meio ao impacto da inflação, dos juros elevados e do endividamento das famílias sobre o orçamento dos consumidores.

Segundo o consultor econômico do Sistema Comércio BA, Guilherme Dietze, embora os preços da cesta de presentes tenham apresentado uma alta menor nos últimos 12 meses, o cenário econômico ainda limita o poder de compra da população.

“A nossa projeção é de estabilidade nas vendas do comércio em agosto, ou seja, um desempenho equivalente ao registrado em 2025. O cenário menos otimista está associado a uma inflação ainda apertada para o bolso, aos juros elevados e ao alto endividamento das famílias, fatores que comprometem a renda disponível e pesam sobre a decisão de compra”, contextualiza.

Apesar do cenário, os preços da cesta de presentes tradicionalmente procurados para a data apresentam uma desaceleração. Uma lista com 23 itens selecionados pela Fecomércio-BA, com base no IPCA do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], registrou alta média de 3,99% no acumulado de 12 meses.

O resultado, no entanto, ficou abaixo da inflação média da Região Metropolitana de Salvador (RMS), de 4,53% no mesmo período. O índice também ficou distante da alta de 11,39% registrada para essa mesma cesta um ano antes.

A inflação geral da RMS também apresentou recuo na comparação anual, passando de 5,23% em 2025 para 4,53% em 2026. Ainda assim, a entidade avalia que a melhora no comportamento dos preços não deve ser suficiente para garantir um aumento nas vendas.

O grande responsável pela redução da média da cesta foi o café, que saiu de uma alta de 89,33% em 2025 para uma queda de -14,61% em 2026, a maior retração entre os itens avaliados. Apesar de não ser um dos presentes mais tradicionais para a data, o café tem peso relevante no cálculo da cesta e contribui para puxar o índice para baixo.

Os eletrônicos também apresentaram redução de preços no período. O televisor recuou -3,36% e o aparelho telefônico caiu -1,97% em 12 meses. No entanto, são produtos de maior valor agregado e que exigem um desembolso mais elevado do consumidor. Já o computador pessoal registrou alta de 11,06%, uma das maiores variações da cesta.

Na outra ponta, itens de perfumaria e cosméticos tiveram as maiores altas. O perfume liderou o ranking, com aumento de 14,17% no acumulado de 12 meses, seguido por produtos para pele (11,11%) e para barba (10,47%). O produto para cabelo teve uma variação menor, de 2,20%. Segundo a entidade, essas categorias seguem entre as mais procuradas para o Dia dos Pais, mas exigem pesquisa por parte do consumidor.

No grupo de vestuário e calçados masculinos, os preços tiveram comportamentos diferentes. Entre as maiores altas estão a sandália/chinelo, com avanço de 9,50%, e a calça comprida masculina, com 9,32%, seguidas pelo sapato masculino, que subiu 7,08%. Já camisa/camiseta masculina (3,37%), bermuda/short masculino (1,57%) e tênis (1,50%) ficaram abaixo da média da cesta.

Segundo o presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes, diante do cenário desafiador, é importante que o empresariado ofereça estratégias para estimular o consumo dos clientes, a exemplo de descontos para pagamentos realizados via Pix.

“O balanço aponta para um Dia dos Pais desafiador, em que o comportamento dos preços por si só não garante o aquecimento das vendas. Diante disso, é fundamental que o empresário reforce estratégias de estímulo ao consumo e de proteção do caixa. Uma delas é chamar a atenção para descontos no pagamento via PIX, que garante recebimento mais rápido, sem depender de crédito, fortalecendo o fluxo de caixa do negócio”, destaca Fernandes.