ECONOMIA


Nvidia perde US$ 1 trilhão em valor de mercado e vê investidores migrarem para outras ações

Desde o recorde alcançado em 14 de maio, as ações da companhia acumulam queda de 16%

Foto: Reprodução/redes sociais

 

A Nvidia perdeu cerca de US$ 1 trilhão (aproximadamente R$ 5,15 trilhões) em valor de mercado em menos de dois meses, voltando a ser negociada em patamares de avaliação registrados antes do avanço da inteligência artificial (IA). Segundo a agência Bloomberg, o movimento ocorre em meio à migração de investidores para outras empresas do setor de semicondutores e tecnologia.

Desde o recorde alcançado em 14 de maio, as ações da companhia acumulam queda de 16%. Parte do mercado reduziu exposição à Nvidia e passou a direcionar investimentos para fabricantes de memória e armazenamento, com destaque para a Micron.

Com a desvalorização, o múltiplo da empresa caiu para 18 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo dos níveis observados em índices como o S&P 500, negociado acima de 20 vezes, e o Nasdaq 100, próximo de 23 vezes.

Apesar da retração das ações, analistas destacam que o movimento não está relacionado a uma piora nas expectativas financeiras da companhia. “O sentimento do mercado mudou”, afirmou Michael Bailey, diretor de pesquisa da Fulton Breakefield Broenniman.

A mudança de estratégia dos investidores também beneficiou concorrentes como AMD e Intel, cujas ações registraram forte valorização ao longo de 2026. “Era uma posição muito lotada”, avaliou Eric Clark, diretor de investimentos da Accuvest Global Advisors, ao comentar o elevado volume de investidores concentrados nos papéis da Nvidia.

Mesmo com a perda de fôlego neste ano, a empresa segue como líder no mercado de unidades de processamento gráfico (GPUs) voltadas para servidores de inteligência artificial. No fim de 2025, a Nvidia concentrava 97% desse segmento, acima dos 95% registrados no ano anterior, impulsionada pela demanda por novos centros de dados.

As projeções para o próximo ano fiscal também permanecem positivas. Analistas estimam lucro de US$ 228 bilhões sobre uma receita de US$ 393 bilhões, com expectativa de crescimento de 13% nas estimativas de lucro nos últimos três meses.

O consenso entre especialistas continua favorável às ações da companhia. Dos 82 analistas acompanhados pela Bloomberg, apenas três recomendam posição neutra e um indica venda. O preço-alvo médio projetado para os papéis é de US$ 302.

Com informações do portal UOL