ECONOMIA


Bancos entram no segundo trimestre sob pressão da inadimplência

Analistas apontam que Brasil é mercado latino-americano com sinais mais evidentes de deterioração do crédito, embora bancos tradicionais ainda demonstrem resiliência; Veja recomendações

Fotos: Assessorias/Itaú, Bradesco e Santander

 

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 dos bancos e instituições financeiras brasileiras deve ser dominada por discussões sobre qualidade dos ativos e inadimplência.

Em diferentes relatórios, os analistas do JPMorgan e UBS BB apontam que o Brasil é atualmente o mercado latino-americano com os sinais mais evidentes de deterioração do crédito, embora os grandes bancos tradicionais ainda demonstrem resiliência superior à observada entre os bancos digitais e novos entrantes.

Para o JPMorgan, a qualidade dos ativos será o principal tema das conferências de resultados, após dados do Banco Central indicarem piora das métricas de inadimplência até maio.

Os analistas destacam que novos casos de crédito corporativo problemático e a deterioração em algumas linhas de varejo, como consignado privado e empréstimos pessoais, continuam pressionando as perspectivas para o setor.

O UBS BB chega a conclusão semelhante e afirma que o Brasil apresenta hoje a pior dinâmica de qualidade de ativos entre os principais mercados latino-americanos, pressionado pelo elevado endividamento das famílias e pelo cenário de juros altos por mais tempo.

Segundo o UBS BB, o número de consumidores negativados atingiu cerca de 83,5 milhões, enquanto o comprometimento da renda das famílias permanece próximo de 30%, níveis historicamente elevados.

Ainda assim, a corretora ressalta que os grandes bancos incumbentes têm conseguido atravessar o período sem um aumento relevante do custo de risco, diferentemente de instituições com maior exposição ao crédito de segmentos de maior risco.

Nesse ambiente, o JPMorgan mantém preferência por Itaú (ITUB4), XP (BDR: XPBR31) e BTG Pactual (BPAC11) entre as instituições financeiras brasileiras. O UBS BB também demonstra visão construtiva para parte do setor e mantém recomendação de compra para Nubank (BDR: ROXO34), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11), XP, Inter (BDR: INBR32) e ABC Brasil (ABCB4).

O Itaú continua sendo a principal aposta do JPMorgan entre os bancos tradicionais. A expectativa é de mais um trimestre consistente, com deterioração limitada da inadimplência em relação aos concorrentes.

O banco projeta lucro de aproximadamente R$12,6 bilhões no segundo trimestre e ROE ao redor de 25%, sustentado por crescimento das receitas, controle de custos e qualidade de crédito superior à média do setor. O preço-alvo da instituição é de R$51 para dezembro de 2027.

Já o UBS BB destaca que os grandes bancos privados brasileiros seguem apresentando tendências relativamente positivas de qualidade dos ativos. Entre eles, o Santander Brasil (SANB11) aparece como uma das principais recomendações do banco suíço, com preço-alvo de R$44, implicando potencial de valorização expressivo em relação aos níveis atuais.

O Bradesco (BBDC4) também figura entre as preferências, beneficiado pela melhora gradual da lucratividade e por uma valuation considerada atrativa. O UBS BB tem preço-alvo de R$24 para o papel e classificação de compra.

As análises das duas casas convergem também para o Nubank. O JPMorgan avalia que o banco digital deve ser um dos principais beneficiários do programa Desenrola e vê uma possível recuperação das margens ajustadas ao risco nos próximos trimestres.

O UBS BB afirma que o novo programa de renegociação de dívidas pode favorecer especialmente instituições com forte exposição ao público de baixa e média renda, como o Nubank, ajudando a aliviar parte das pressões recentes sobre inadimplência. Os analistas mantêm recomendação de compra para a fintech, com preço-alvo de US$16,90.