ECONOMIA


Mesmo com tarifaço, déficit comercial dos EUA dispara 42% em maio

Desequilíbrio chegou a US$77,6 bilhões após aumento das importações e queda das exportações

Foto: Official White House/Daniel Torok

 

O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou de forma significativa em maio, impulsionado pelo avanço das importações e pela queda das exportações, segundo dados divulgados pelo governo nesta terça-feira (7). O déficit comercial ocorre quando um país compra mais produtos e serviços do exterior do que vende para outros países.

O déficit comercial dos EUA saltou 42,2% em relação a abril, alcançando US$77,6 bilhões (cerca de R$400 bilhões). As importações cresceram 3,3%, para US$395,3 bilhões (R$2,04 trilhões), enquanto as exportações caíram 3,2%, para US$317,7 bilhões (R$1,64 trilhão).

O resultado foi registrado em um período marcado pelos impactos da guerra no Oriente Médio, que aumentou a demanda por alguns produtos. Além disso, o avanço dos investimentos em inteligência artificial impulsionou as compras externas de equipamentos e insumos usados na construção de centros de dados no país.

Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das importações estão bens de consumo, petróleo bruto, insumos industriais, automóveis, peças e equipamentos de informática, segundo o Departamento de Comércio.

Do lado das exportações, as vendas externas de petróleo bruto e derivados aumentaram após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro. Em contrapartida, produtos como medicamentos registraram queda nas exportações.

O aumento do déficit comercial ocorre em meio à política de tarifas adotada pelo governo de Donald Trump, que busca encarecer produtos importados, estimular a produção doméstica e reduzir a dependência dos Estados Unidos de fornecedores estrangeiros.

Apesar dessas medidas, os dados de maio indicam que o efeito esperado ainda não apareceu. Empresas americanas continuaram ampliando as compras no exterior, principalmente de itens considerados essenciais, como equipamentos de tecnologia, petróleo e componentes industriais.

Especialistas apontam que parte das empresas pode ter antecipado importações para evitar possíveis aumentos de tarifas no futuro. Além disso, medidas de retaliação adotadas por outros países podem pressionar as exportações americanas.