JUSTIÇA


Relatório da PF registra troca de mensagens e encontros entre Paulo Gonet e dono do Banco Master

Documentos da Operação Compliance Zero detalham intermediação de advogado em reuniões sociais na Europa e ligações telefônicas entre o procurador-geral e o banqueiro Daniel Vorcaro

Foto: Reprodução

​Um relatório da Polícia Federal detalhou a intermediação de encontros e a troca de recados entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os registros integram as investigações da Operação Compliance Zero, sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

​No dia 19 de junho de 2025, quinta-feira, o advogado Ciro Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet durante uma degustação de charutos em Londres. “PG mandou agora”, escreveu o defensor público em mensagem enviada logo após a imagem.

​O envio do registro ocorreu após a confirmação da presença do filho do procurador-geral, referido nos textos como “Pedrinho”. O advogado questionou “O Pedrinho filho do PG pode ir com a gente né?”, ao passo que o banqueiro respondeu “obvio”.

​Nos diálogos mapeados, o procurador-geral declarou saudades e chamou o empresário de “máquina”. As manifestações ocorreram após a aceitação de um convite para degustação de uísque na capital britânica e o pedido de convite para seu filho.

​Em outro episódio, no dia 15 de março do ano passado, Soares enviou uma foto com o procurador e solicitou contato telefônico. A mensagem “liga aqui. Ele quer falar com você” precedeu o registro de quatro chamadas de voz entre os interlocutores.

​Treze dias depois, o advogado repassou novos textos atribuídos ao chefe do Ministério Público Federal com a instrução “Manda essa mensagem para ele”. A notificação de repasse do aplicativo de mensagens indicava o texto: “Já estou com saudade de você! Estou embarcando para Roma”.

​As informações foram publicadas pelo jornal O Globo e confirmadas pelo Estadão. A assessoria de Gonet confirmou a realização do encontro ao Globo, mas ressaltou que o ministro André Mendonça atestou, na sessão de terça-feira (15), a ausência de elementos ilícitos com a menção ao nome do procurador-geral.