ECONOMIA


Escassez de fertilizantes pressionam safra de grãos no Brasil

Preços do enxofre e atrasos na importação de ureia afetam a indústria de fertilizantes e preocupam agricultores no início do plantio

Foto: Reprodução/TV Sergipe

​O mercado brasileiro de fertilizantes fosfatados enfrenta escassez de insumos no início da safra de verão em diversas regiões do país. A analista da Safras & Mercado, Maísa Romanello, avalia que o cenário permanece sensível, com menor oferta e valores ainda elevados para os produtores de grãos.

​O enxofre atingiu níveis recordes em 2026 em razão dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. “Mais de 40% das exportações globais da matéria-prima passam pelo estreito de Ormuz”, explicou a analista.

​A alta cotação do insumo prejudicou a indústria de fertilizantes fosfatados, que reduziu ou paralisou a produção devido a margens operacionais apertadas e negativas. Do lado dos agricultores, os valores inacessíveis provocaram uma quebra de demanda por fosfatados nesta safra.

​Essa redução na demanda, somada à menor fabricação industrial, fez o preço do enxofre recuar. Na semana da entrevista, houve queda de 85 dólares, com redução acumulada de 185 dólares no período de um mês.

​Apesar dos recentes recuos, Romanello alertou que o mercado segue vulnerável. “Qualquer novo movimento de demanda deve voltar a elevar esses preços”, afirmou.

​A restrição na disponibilidade do insumo deve continuar sem uma resolução geopolítica no Oriente Médio, perspectiva que “parece cada vez mais distante”, segundo a especialista.

​Embora o Brasil possua produção nacional de fosfatados relativamente mais confortável em relação a outros nutrientes, o país ainda depende da importação de enxofre. A analista defendeu a necessidade de avanços na competitividade interna e políticas públicas de incentivo, como subsídios, para manter a produção nos próximos anos.

​Outro ponto de atenção é o atraso nas importações de ureia no período de janeiro a agosto de 2026, com volume mais de 20% abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano anterior. O quadro gera preocupação para a segunda safra, em especial a de milho, que exigirá a recomposição dos estoques nacionais.

​A elevada demanda em aberto indica um período de compras intensas de nitrogenados no mercado externo. “Os fornecedores já estão precificando esse atraso no mercado internacional, entendendo que o Brasil precisa retomar as compras”, disse Romanello.