JUSTIÇA


Desconfiança no STF atinge recorde histórico e supera demais poderes do país

Pesquisa Datafolha aponta que 48% dos eleitores não confiam na Corte após desgaste provocado por investigações do Banco Master

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Pesquisa Datafolha aponta que 48% dos eleitores não confiam na Corte após desgaste provocado por investigações do Banco Maste

​A parcela de eleitores que afirma não confiar no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu 48%, o maior patamar da série histórica iniciada em 2012, segundo dados do Datafolha divulgados nesta sexta-feira (18). O resultado coloca a Corte no topo da rejeição entre as instituições avaliadas, à frente do Congresso Nacional, dos partidos políticos e da Presidência da República.

​O índice atual representa um crescimento de cinco pontos percentuais em relação a março, quando a desconfiança era de 43%. No levantamento recente, 35% dos entrevistados afirmam confiar um pouco no tribunal, enquanto 14% dizem confiar muito.

​Na comparação institucional, o Supremo lidera numericamente o nível de rejeição popular. O Congresso Nacional e os partidos políticos registram 45% de desconfiança cada, ao passo que a Presidência da República soma 42%.

​A queda na avaliação ocorre em um período de exposição da Corte por causa de desdobramentos de investigações sobre o Banco Master. A tensão aumentou após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

​Outros documentos vindos a público trazem menções aos ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, além de familiares de integrantes do tribunal. Parte do material sob investigação permanece sob segredo de Justiça.

​O assunto chegou ao plenário na terça-feira (15), quando os ministros se reuniram para avaliar a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. O mérito da questão não obteve análise devido ao pedido de vista do ministro Flávio Dino, fato que adiou o julgamento por até 90 dias.

​A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04029/2026. O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre os dias 15 e 17 de setembro.

​A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O custo informado foi de R$ 307.641,60, pago pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo.