ECONOMIA


Déficit das contas do governo central sobe para R$ 48,2 bilhões em junho

Resultado foi maior que o registrado no mesmo mês de 2025 e superou a expectativa do mercado

Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

 

As contas do governo central registraram déficit de R$ 48,2 bilhões em junho deste ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Tesouro Nacional. O resultado engloba as contas do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social e supera o déficit de R$ 44,2 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.

O rombo também ficou acima da mediana das projeções do mercado, que previa déficit de R$ 45,3 bilhões, de acordo com o Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda.

No período, o resultado conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central foi superavitário em R$ 2,3 bilhões, mas o déficit de R$ 50,5 bilhões da Previdência Social acabou levando o saldo consolidado para o campo negativo.

Segundo o Tesouro, o desempenho de junho reflete um crescimento real de 10,3% na receita líquida e de 9% nas despesas totais na comparação com o mesmo mês do ano passado.

A alta na arrecadação foi impulsionada, principalmente, pelo aumento das receitas administradas pela Receita Federal, que cresceram 10,2%, além da elevação de 23% nas chamadas receitas não administradas.

Entre os fatores que contribuíram para o avanço da arrecadação estão o bom desempenho da Cofins e o aumento da arrecadação com o Imposto de Exportação sobre óleo bruto. As receitas ligadas à exploração de petróleo e gás natural, como royalties e comercialização realizada pela PPSA, também cresceram, favorecidas pela valorização do petróleo no mercado internacional.

Pelo lado das despesas, o aumento foi puxado principalmente pelos gastos do Poder Executivo, com destaque para a área da Saúde, além dos créditos extraordinários destinados à subvenção do óleo diesel de uso rodoviário.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o déficit do governo central chegou a R$ 92,2 bilhões, bem acima do resultado negativo de R$ 11,3 bilhões registrado no mesmo período do ano passado.

Apesar de Tesouro Nacional e Banco Central acumularem superávit de R$ 144 bilhões no semestre, a Previdência Social registrou déficit de R$ 236,2 bilhões.

A meta fiscal do governo para 2026 prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Com a margem de tolerância prevista no novo arcabouço fiscal, o resultado poderá ficar em zero, sem descumprimento da meta.