BRASIL


Flávio Bolsonaro critica gestão fiscal do governo e compara endividamento a obras públicas

Senador de oposição ao governo publica vídeo questionando o ritmo da dívida federal; equipe econômica defende a sustentabilidade das contas e o foco em investimentos sociais

Foto: Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em suas redes sociais para criticar a condução da política fiscal e o crescimento da dívida pública do governo federal. Na gravação, o parlamentar utiliza estimativas do débito da União para questionar a eficiência do gasto público e o impacto da gestão fiscal no orçamento das famílias brasileiras.

Confira vídeo:

Ao abordar a evolução das contas federais, o senador sustentou que a expansão diária do débito atinge a marca dos R$8 bilhões. “Eu tô falando de R$8 bilhões. Essa é a dívida que o atual governo federal faz por dia”, declarou. Para ilustrar a cifra, o parlamentar argumentou que o montante acumulado em um único dia seria equivalente ao custo de construção de 2.600 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), 2.000 creches, 44 mil moradias populares ou 66 hospitais municipais. Na mesma linha, afirmou que a quantia de um dia e meio cobriria os custos da ponte Salvador-Itaparica ou de uma nova transposição do Rio São Francisco.

O valor citado pelo senador toma como referência os dados do Relatório Mensal da Dívida divulgado pelo Tesouro Nacional em junho, período em que o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) cresceu R$ 235,7 bilhões em 30 dias — o que gera uma média diária de R$ 7,85 bilhões. Analistas de finanças públicas ressaltam, no entanto, que o crescimento desse estoque não reflete saques diretos do Orçamento ou gastos executivos cotidianos, derivando prioritariamente da apropriação contábil de juros (pela incidência da taxa Selic sobre os papéis já existentes) e de operações de rolagem e emissão de títulos no mercado financeiro.

O parlamentar também fez críticas diretas às diretrizes socioeconômicas do Poder Executivo e relembrou episódios de gestão em estatais e fundos de pensão. “O atual governo tem a missão de manter o pobre na pobreza. Ele tem a missão de acabar com o poder de compra da classe média, porque assim vão passar a depender do governo também”, sustentou o senador, que encerrou o vídeo fazendo um apelo aos eleitores: “Se você quer um futuro melhor, não adianta cometer os mesmos erros do passado”.

A Dívida Pública Federal (DPF) é influenciada pela emissão de títulos governamentais, pelo ritmo de pagamentos e pela apropriação dos juros básicos da economia (taxa Selic). Sobre a dinâmica do endividamento, técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional ressaltam que o avanço do estoque reflete custos financeiros contábeis. “O crescimento mensal da dívida resulta majoritariamente da incorporação de juros e do refinanciamento de títulos antigos, mantendo-se dentro dos limites e horizontes previstos no Plano Anual de Financiamento”, esclareceu o órgão em apresentações do setor. Paralelamente, a equipe econômica sustenta que a gestão das contas públicas busca garantir a sustentabilidade fiscal sem comprometer a recomposição dos investimentos prioritários.