BRASIL


‘Sempre houve insultos de ambos os lados’, diz porta-voz de Milei sobre crise com Lula

Representante da Argentina afirma que desgaste após ataques não vai impactar relações diplomáticas entre países

Fotos: Ricardo Stuckert/PR; Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

O porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, afirmou nesta terça-feira (28) que “sempre houve insultos de ambos os lados” ao comentar a crise entre Argentina e Brasil após o presidente Javier Milei chamar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ladrão durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo.

“Se tomarmos o caso do Brasil, é evidente que sempre houve insultos de ambos os lados. Penso que se tratam de diferenças ideológicas e políticas, mas a Argentina nunca levou essas diferenças para o âmbito diplomático”, afirmou Ravier.

A afirmação indica uma alfinetada às reações do governo brasileiro após a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo, no último sábado (25).

Milei fez um discurso no qual se referiu a Lula como “ladrão” e “presidiário”, além de ter chamado o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de “lixo careca” por não tê-lo deixado visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília.

O governo respondeu convocando o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos. O porta-voz minimizou a crise buscando se referir a uma “questão ideológica”.

“Milei é um dos principais líderes do movimento que busca promover ideias pró-mercado. Os Bolsonaros, no Brasil, são amigos e aliados nessa ideia. Lula se opõe a essa ideia, e creio que as diferenças são claras e fazem parte de uma questão ideológica e política, mas não acreditamos que isso impactará as relações diplomáticas entre os dois países, ou pelo menos não do lado argentino”, afirmou Ravier.

A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre a suposta participação financeira de Brasil, México e o Partido Democrata, dos Estados Unidos, na onda anti-Argentina que tomou conta das redes sociais na Copa do Mundo. A acusação foi feita por Milei no domingo (26), em entrevista a uma rádio local.

“Vocês sabem quem investiu mais dinheiro nessa campanha anti-Argentina? O governo brasileiro”, afirmou, sem apresentar evidências. “Vinte e cinco por cento dos recursos vieram do governo brasileiro. E depois eles vêm falar em interferência.”

As tensões entre os dois líderes remontam a 2023, quando Milei ainda tentava chegar ao poder no país vizinho. Ao longo daquele ano, ele afirmou, por exemplo, que Lula era parte de uma “casta de políticos ladrões” e se referiu ao petista como ex-presidiário, além de acusá-lo de financiar a campanha de Sergio Massa, seu adversário no pleito.