ECONOMIA


Dívidas equivalem a quase metade da renda das famílias, aponta BC

Dados do Banco Central mostram que famílias encerraram junho com comprometimento de 28,5% da renda destinado ao pagamento de dívidas

Foto: Assessoria

 

O Banco Central (BC) divulgou, nesta quinta-feira (30) as Estatísticas Monetárias e de Crédito referentes a junho. Os dados mostram que as famílias encerraram o período com comprometimento de 28,5% da renda destinado ao pagamento de dívidas, enquanto o endividamento chegou a 49,8% em maio.

A inadimplência também registrou crescimento na comparação anual. A carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) apresentou índice de atraso de 4,7% em junho, mesmo percentual observado em maio, mas um ponto percentual acima do registrado em junho do ano passado.

Entre as pessoas físicas, a taxa ficou em 5,6%, com aumento de 1,2 ponto percentual em um ano. No crédito livre, que reúne as operações sem taxas definidas por regras específicas, a inadimplência chegou a 6,2% da carteira, em estabilidade mensal, e alta de 0,9 ponto percentual em relação ao mesmo período anterior. Considerando apenas as famílias nesse segmento, o índice foi de 7,6%, avanço anual de 1,1 ponto percentual.

Os custos dos empréstimos também permaneceram elevados. Nas operações de crédito livre para pessoas físicas, a taxa média de juros ficou em 64% ao ano em junho, depois das altas de 1,2 ponto percentual no mês e de 4,6 pontos percentuais em 12 meses. O aumento foi influenciado principalmente pelo crédito pessoal não consignado, cuja taxa avançou 7 pontos percentuais no período.

A média de juros considerando todas as modalidades de crédito concedidas chegou a 33,4% ao ano. O resultado representa aumento de 0,2 ponto percentual em relação a maio e de 1,5 ponto percentual na comparação anual. O spread (diferença de taxas) bancário ficou em 21,9 pontos percentuais, sem alteração no mês e 1,1 ponto percentual acima do nível registrado um ano antes.

Mesmo com a redução mensal em algumas modalidades, o volume total de crédito apresentou aumento. O saldo das operações do SFN alcançou R$7,4 trilhões em junho, com crescimento de 0,7% no mês e de 9,7% no acumulado de 12 meses.

A participação das famílias nesse montante chegou a R$4,6 trilhões. O valor representa crescimento de 0,2% na comparação mensal e de 10,8% em relação a junho do ano anterior.

Dentro do crédito livre destinado às pessoas físicas, o saldo foi de R$2,5 trilhões. Apesar da expansão de 11,2% em 12 meses, houve queda de 0,1% frente a maio. A redução mensal ocorreu principalmente nas carteiras de financiamento para compra de veículos e de crédito pessoal não consignado sem garantias reais.