POLÍTICA


Ex-presidente do PT pede desculpas por suposta declaração antissemita

José Genoino afirmou que se referia a empresas vinculadas ao governo israelense; Conib havia acionado o Ministério Público Federal

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) José Genoino divulgou um pedido público de desculpas por uma declaração feita em janeiro de 2024. Durante entrevista ao portal Diário do Centro do Mundo sobre a posição do Brasil na guerra entre Israel e Hamas, o político mencionou a possibilidade de um “boicote em relação a determinadas empresas de judeus”.

Na nova manifestação, Genoino afirmou que a formulação foi inadequada e que a retificação ocorreu durante a própria transmissão ao vivo. De acordo com o ex-deputado, a referência pretendida era a empresas vinculadas ao governo do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Ele declarou que a ressalva feita no programa não constou em recortes veiculados posteriormente nas redes sociais.

No texto publicado, Genoino pediu desculpas “a quem por ela se sentiu atingido”, reiterou o repúdio ao antissemitismo e destacou a participação da comunidade judaica na formação da sociedade brasileira. Procurado pela reportagem da Folha de SP para comentar o assunto, o ex-parlamentar afirmou que “não fala com a grande mídia”.

A declaração original motivou a Confederação Israelita do Brasil (Conib) a apresentar uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF). Na oportunidade, a entidade classificou a fala como antissemita e citou o histórico de medidas adotadas contra a comunidade judaica na Alemanha durante o regime nazista. Na ocasião da representação, o político negou teor antissemita e defendeu a coexistência de dois Estados no Oriente Médio.

Em posicionamento recente, a Conib declarou que “o combate ao antissemitismo exige vigilância, mas também exige disposição para ouvir, reconhecer, esclarecer e construir pontes”. A organização acrescentou que questionamentos a políticas governamentais são legítimos, desde que não resultem em generalizações ou discriminação contra judeus.