ELEIÇÕES


‘Aparentemente, é um ex-candidato agora falando’, diz Renan Santos

Candidato à Presidência aponta "inflexão autoritária" em decisão do TSE e promete recurso

Foto: Reprodução/Youtube

O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) declarou nesta segunda-feira (31)em coletiva de imprensa em São Paulo, que as restrições à sua campanha representam uma “inflexão autoritária” nos tribunais. A declaração ocorreu após a decisão cautelar do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu sua propaganda digital, presença em debates e repasses do Fundo Eleitoral.

Em sua fala, Santos classificou a determinação como uma “decisão monocrática absurda”. “Aparentemente, é um ex-candidato agora falando. É um momento muito bizarro da democracia brasileira”, disse no início do encontro com jornalistas.

O candidato contestou a tese de que obteve vantagem indevida com recomendações algorítmicas nas redes sociais. Para rebater o argumento, ele exibiu imagens de contas de outros políticos com mecanismos idênticos.

“Curiosamente, quando eu abro o perfil do senhor Jair Messias Bolsonaro, as mesmas recomendações, e vocês podem checar, são para o candidato Nikolas Ferreira, para o candidato Flávio Bolsonaro e para a candidata Michelle Bolsonaro”, afirmou.

Renan apontou padrão semelhante no perfil do ministro Guilherme Boulos, com indicações para Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Haddad e Natália Boulos. “Eu não estou aqui, de maneira alguma, falando que eles deveriam ter suas candidaturas cassadas, nem os demais que eu citei, porque esse caso é apenas absurdo. Usando esses mesmos critérios absurdos, Natália e os demais deveriam perder a sua? É claro que não. É óbvio que não”, declarou.

O postulante lembrou que o anúncio ocorreu exatamente dez anos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, efetuado em 31 de agosto de 2016. Ele citou sua participação nos protestos pelo afastamento da ex-mandatária.

“[A decisão é] do Dias Toffoli, ministro do STF, que está hoje no TSE e que foi nomeado pelo mesmo grupo político que, há dez anos, eu afastei do poder no Brasil. A história, alguns dizem que é cíclica, mas a história é a história”, disse.

O candidato sustentou que não há justificativa jurídica ou política para o ato do magistrado. “Não dá para justificar de maneira racional e razoável, nem do ponto de vista jurídico, nem do ponto de vista político, a decisão do ministro Dias Toffoli. Não há meios de fazer isso”, afirmou.

Renan Santos ressaltou as mensagens de apoio recebidas de juristas, imprensa e adversários na disputa presidencial. “Agradeço todas as manifestações democráticas dos veículos de imprensa, de juristas e dos meus concorrentes à Presidência da República, que demonstraram seu repúdio a essa decisão monocrática absurda”, declarou.

Mais cedo, em vídeo publicado nas rede sociais, o representante do Missão já havia classificado a medida como “ilegal e persecutória”. Ele relacionou a decisão a quatro atos públicos que convocou no último ano contra Toffoli em razão das discussões sobre o Banco Master.

“O nome do Dias Toffoli foi mencionado e cartazes foram feitos. Todas essas vezes, eu estou pagando o preço por ter defendido o que eu defendi”, afirmou no vídeo. Ele disse também que a suspensão derivou de um “problema técnico” no registro de candidaturas, falha comum a centenas de concorrentes.

A determinação de Toffoli, assinada no domingo (30), suspendeu a propaganda em perfis não informados à Justiça Eleitoral no prazo regulamentar. A apuração da Folha mostrou que a omissão das contas deixou os perfis sujeitos a recomendações algorítmicas, enquanto adversários já passavam por filtro.

A medida também impede a participação do candidato em debates ou sabatinas em rádio, televisão, podcasts e outros meios. Além disso, a decisão suspendeu os repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) à chapa.