JUSTIÇA


Ministro do STF diz que investigado tentou apresentar ‘delação seletiva’ em caso Master

André Mendonça afirmou que recusou analisar proposta apresentada diretamente por advogado

Foto: Fellipe Sampaio /STF

 

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (16) que um dos investigados no caso Master tentou apresentar uma proposta de “delação seletiva”. A declaração foi feita durante sessão da Segunda Turma da Corte.

Segundo o magistrado, um advogado o procurou diretamente para apresentar uma proposta de colaboração premiada. Mendonça destacou, no entanto, que o procedimento previsto em lei determina que esse tipo de proposta seja inicialmente encaminhado à Polícia Federal (PF) ou ao Ministério Público, responsáveis pela análise do conteúdo.

O ministro esclareceu que o advogado em questão não era José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, ex-defensor do banqueiro Daniel Vorcaro, mas optou por não revelar a identidade do profissional nem do investigado envolvido.

“Sempre disse para advogados: não estou preocupado com delação. Eu não prendo para fazer delação. Não me permitiria a isso. Não dormiria tranquilo se fizesse isso”, afirmou.

Mendonça acrescentou: “Delação é um ato de vontade da defesa. Alguns advogados diziam: ‘você não vai pegar todo mundo?’. Eu falei que estou preocupado em pegar o que a investigação determinar. Não estou preocupado se será todo mundo ou não. Estou preocupado com o que a investigação vier a esclarecer”.

Na sequência, o ministro disse que sequer abriu a proposta apresentada, por entender que a análise desse tipo de material cabe à PF e ao Ministério Público.

“Não é o advogado que deixou o caso, o Juca, mas me chegou uma proposta por um advogado. Perderam o pudor, ministro Gilmar [Mendes], dizendo que queriam fazer uma delação seletiva. Falaram na minha cara isso. Eu disse que não faço questão de delação, mas agora delação seletiva comigo não”, declarou.