ECONOMIA


Brasil reafirmará disposição para reciprocidade em nova reunião com os EUA

Negociação comercial será retomada nesta segunda-feira (31), em meio à manutenção das tarifas impostas por Washington sobre produtos brasileiros

Foto: Casa Branca/Daniel Torok

 

O Brasil reafirmará nesta segunda-feira (31) sua disposição de adotar a Lei de Reciprocidade Econômica para reagir às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que somam 37,5%, em uma nova rodada de negociações comerciais entre os dois países. A informação é da colunista Mariana Sanches, do portal UOL.

Segundo a publicação apurou, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, dirá pela primeira vez diretamente ao representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que o governo brasileiro poderá recorrer à legislação como resposta às tarifas.

A reunião foi acertada entre o presidente Lula (PT) e o homólogo americado Donald Trump em telefonema no dia 21 de agosto. Pouco depois da conversa, Greer enviou uma mensagem a Elias Rosa afirmando ter recebido orientação do republicano para retomar o diálogo.

Apesar de auxiliares de Lula avaliarem como “positiva” e “importante” a retomada de um canal direto e de alto nível para a negociação comercial, integrantes do governo demonstram ceticismo quanto a resultados práticos, conforme conversas reservadas com a colunista do UOL.

Um dos motivos é a interpretação de que os argumentos brasileiros sobre a falta de fundamentos para a imposição das tarifas permanecem os mesmos. Lula afirmou diretamente a Trump que eram falsas as justificativas relacionadas a desmatamento, trabalho forçado e suposta competição desleal do sistema de pagamentos Pix apresentadas pelos Estados Unidos para justificar as tarifas.

O Palácio do Planalto considera que a Casa Branca dificilmente concederia a Lula um ganho nas negociações que pudesse favorecer sua candidatura à reeleição em outubro.

Um eventual avanço em um acordo comercial poderia gerar dividendos eleitorais para Lula em um momento em que aliados de Trump, como o secretário de Estado Marco Rubio, demonstram preferência pela vitória do principal adversário do petista, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).