JUSTIÇA


Renato Cariani nega fraude química e rebate pedido de condenação

Defesa do influenciador promete provar inocência contra acusação de desvio de insumos para produção de drogas

Foto: Reprodução

 

O empresário e atleta Renato Cariani pronunciou-se na quinta-feira (29) sobre o pedido de condenação feito pelo Ministério Público de São Paulo. O órgão acusa o influenciador de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de produtos químicos para a fabricação de cocaína e crack entre 2016 e 2020.

Em vídeo no Youtube, o réu afirmou: “Não é um processo novo, tá? Quem me acompanha há muito tempo no canal sabe, eu fui sócio de uma indústria química e essa indústria química foi vítima de uma fraude e essa fraude virou um processo porque eu sou um dos donos”.

Cariani reafirmou a confiança na Justiça para a resolução do caso. “Esse é o papel do Ministério Público, realizar acusação. E ele manteve essa postura até agora”, declarou. “O papel da minha defesa é o quê? É provar que nós estamos certos, provar nossa inocência”, acrescentou o atleta.

A defesa do réu informou em nota a fase de alegações finais defensivas no processo. Os advogados Aldo Romani Netto e José Eduardo Martins Cardozo prometeram responder a todas as teses da acusação para demonstrar a improcedência do pedido. O juiz responsável emitirá a decisão logo após essa etapa, mas não há prazo estipulado para a conclusão.

A Promotoria solicitou também a condenação da sócia da Anidrol Produtos para Laboratórios Ltda. em Diadema, Roseli Dorth, e de Fábio Spinola Mota, apontado como membro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A advogada Paula Minichillo defende a inocência de Mota e afirma a existência de provas para refutar integralmente a denúncia e corroborar o interrogatório do cliente.

A Polícia Federal (PF) prendeu Mota no incício d e2023 na operação Downfall contra o tráfico internacional e interestadual de drogas com diversas ramificações no país.

A corporação concluiu o desvio de cerca de 12 toneladas de acetona, éter etílico, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, manitol e fenacetina, adquiridas de forma legal pela Anidrol, para transformar a pasta base de cocaína em pó ou em pedras. O grupo justificava a saída dos produtos com notas fiscais falsas e depósitos em nome de laranjas.

A Receita Federal iniciou apuração após detectar um depósito em dinheiro no valor de R$ 212 mil aparentemente feito pela biofarmacêutica AstraZeneca. A multinacional negou a movimentação financeira e o vínculo com a empresa investigada.

Cariani apresentou na investigação as mensagens trocadas com um funcionário fantasma do laboratório chamado Augusto Guerra. A análise telemática demonstrou a criação deste perfil falso por Mota com o registro de um domínio de internet com extensão “com.br” em nome da AstraZeneca. O esquema de desvios rendeu ao grupo um valor superior a R$ 6 milhões na estimativa da PF.