JUSTIÇA


Ex-sócio acusa Daniel Vorcaro de comandar fraudes de crédito no Banco Master

Augusto Lima afirmou à Polícia Federal que o ex-banqueiro orientava funcionários a mentir para auditores e centralizava as decisões financeiras

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O empresário Augusto Ferreira Lima acusou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de comandar fraudes em operações de crédito consignado no Banco Master. O dono do Banco Pleno prestou depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 16 deste mês, durante a Operação Compliance Zero. Ele relatou o controle de decisões estratégicas por parte do antigo sócio para burlar fiscalizações.

A declaração contrasta com o depoimento prestado por Vorcaro em dezembro do ano passado. Na ocasião, o ex-banqueiro disse aos investigadores que desconhecia os detalhes operacionais do negócio.

Lima rebateu essa versão de forma direta aos policiais. “Me causa muita dificuldade quando o Daniel vem dar um depoimento e diz o seguinte: ‘Eu não conheço nada de consignado, quem conhecia era Augusto'”, afirmou o ex-sócio. Segundo ele, Vorcaro acompanhava a área de perto e interferia em decisões contra as recomendações da equipe interna.

O depoente relatou que Vorcaro orientou subordinados a fornecer respostas evasivas ou falsas aos auditores do Banco de Brasília (BRB) e do Banco Central. A instrução obrigava os funcionários a citar associações de servidores públicos da Bahia (Asteba e Ceba) como correspondentes bancários ou declarar saques de fundos de investimento.

O esquema utilizou a estrutura do cartão Credcesta para simular legitimidade em carteiras de crédito sem lastro real. A operação inicial com o BRB ocorreu em julho de 2024 com o montante de R$ 750 milhões em créditos de funcionários públicos. No entanto, a base do cartão não possuía capacidade de gerar os valores de R$ 5 bilhões a R$ 12 bilhões exigidos pelas auditorias.

Lima apontou o consignado como o fator responsável pelo avanço do Banco Master no ranking nacional entre 2019 e 2025. Ele utilizou as conversas da investigação para confirmar o conhecimento do executivo sobre o produto financeiro.

“Pelo que está no próprio inquérito de forma objetiva, ele em alguns momentos fala, ‘diga que tirou do fundo’, ‘diga que comprou uma carteira’, ‘troque isso aqui’, ‘faça aquilo outro’. Isso no final do dia mostra que ele tinha pleno conhecimento do que era consignado”, declarou Lima. O ex-sócio oficializou sua saída da diretoria em 28 de maio de 2024 por divergências com as estratégias da instituição.

A saída do quadro diretivo permaneceu em sigilo a pedido do próprio banco e do regulador para evitar pânico no mercado. A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito da investigação e indiciou Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas na última quarta-feira (28).

Entre os indiciados pela venda das carteiras ao BRB estão o próprio Augusto Lima e o ex-presidente da estatal financeira, Paulo Henrique Costa. A polícia aponta Lima como integrante do núcleo executivo com acusações por suspeita de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A defesa do empresário negou o envolvimento dele nas irregularidades e optou pelo silêncio, postura idêntica à da equipe jurídica de Vorcaro, procurada nesta sexta-feira (30).