JUSTIÇA


STF mantém inquéritos contra Flávio Bolsonaro mesmo após perda de foro

Senador fica sem mandato em fevereiro, mas investigações sobre Banco Master e suposta lavagem e dinheiro seguem na Corte

Fotos: Saulo Cruz/Agência Senado; Gustavo Moreno/STF

O senador Flávio Bolsonaro (PL) perderá o foro privilegiado após 31 de janeiro com o fim do seu mandato parlamentar. Os inquéritos contra o político continuam no Supremo Tribunal Federal (STF). A jurisprudência da Corte determina a manutenção das investigações iniciadas durante o exercício do cargo e relacionadas a ele.

O ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes do senador na segunda-feira (26). O parlamentar não entregou os documentos à Polícia Federal (PF) no prazo estipulado até as 12h de terça-feira (27).

A corporação acionou autoridades da Argentina na própria terça-feira. A medida ocorreu após a identificação de uma aeronave particular em Puerto do Iguazú com destino aos Estados Unidos. A saída do país não impede a continuidade das apurações na Corte brasileira.

O criminalista Gustavo Badaró, professor da Universidade de São Paulo (USP), afirma que a regra exige o julgamento no STF se a suspeita ocorreu no exercício da função. O professor João Pedro Pádua, da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que o envio para a primeira instância já teria ocorrido caso o tribunal descartasse a ligação com o mandato.

O primeiro inquérito em andamento apura a suposta lavagem de dinheiro em parceria com o advogado Willer Tomaz e envolve o setor de apostas no Rio de Janeiro. A apuração analisa transações entre empresas e casas de apostas autorizadas pela Loteraj durante o governo de Cláudio castro (PL). Um relatório da PF aponta uma movimentação de aproximadamente R$ 130 milhões em uma conta do advogado entre março e maio de 2025.

O documento policial também cita viagens internacionais custeadas pela Cathedral, holding de apostas de Tomaz, para a família do senador. A defesa do advogado nega irregularidades e afirma em nota que “a relação entre os dois é de amizade entre famílias, e amizade não é crime”.

A segunda investigação analisa possíveis irregularidades no repasse de quase 70 milhões de dólares do Banco Master para o filem Dark Horse. O montante integrava um contrato de cerca de R$ 134 milhões para financiar uma obra sobre o ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL). Os pagamentos cessaram com a liquidação do banco em novembro de 2025 pelo Banco Central.

Flávio Bolsonaro nega qualquer ilegalidade nas operações e classifica o projeto como “um pedido de um patrocínio privado para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida”. Cláudio Castro também enviou manifestação oficial na qual nega atos ilícitos e descarta relação entre sua amizade com Willer Tomaz e decisões administrativas.