POLÍTICA


EUA preparam novas sanções contra alvos no Brasil ligados a facções criminosas

Washington investiga movimentações do PCC e do CV em solo americano e acusa o governo brasileiro de falhar no combate aos grupos

Foto: Reprodução/Redes sociais

​O governo dos Estados Unidos planeja aplicar sanções econômicas contra indivíduos e empresas no Brasil ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). A medida decorre do monitoramento de fluxos financeiros em território americano por órgãos federais.

​Na terça-feira (15), a Casa Branca enviou um documento ao Congresso americano com acusações à gestão federal brasileira. O texto afirmou que o país “falhou em confrontar” as organizações criminosas e cobrou “medidas agressivas” para derrotar os grupos.

​O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu as declarações na quarta-feira (16). Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública declarou que Washington ignora as iniciativas brasileiras e a cooperação existente entre as nações.

​A pasta informou que o país mantém a atuação “de forma soberana e coordenada” no enfrentamento ao crime organizado. Integrantes do governo avaliam reservadamente que a posição americana possui caráter político-eleitoral.

​O Departamento do Tesouro, o Departamento de Justiça e o FBI conduzem o rastreamento do dinheiro das facções em solo americano. Os investigadores realizam o cruzamento de dados para identificar conexões com residentes no Brasil.

​No primeiro semestre, os Estados Unidos enquadraram o PCC e o CV nas categorias de terrorismo SDGT e FTO. A decisão ocorreu após reunião entre o então senador Flávio Bolsonaro (PL) e autoridades da administração americana.

​Em 1º de julho, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) aplicou as primeiras punições da nova política. A ação atingiu dois brasileiros, três empresas de São Paulo e uma empresa de Portugal.

​No cenário nacional, a Polícia Civil e o Gaeco deflagraram a Operação Vectura Corrupta na quinta-feira (17). A investigação aponta que o PCC controla 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital paulista.

​A Justiça autorizou 16 prisões temporárias no caso. O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), acabou preso nesta sexta-feira (18) sob suspeita de operar parte das empresas.

​Depoimentos de policiais militares também citam Leite como proprietário de fato da empresa Transwolff. O político negou as acusações e declarou não possuir ligação com o PCC.