POLÍTICA


Lula rebate classificação de Trump sobre facções e menciona 8 de janeiro

Presidente rejeitou o termo de "terrorismo" usado pro Trump para se referir ao PCC

Foto: Casa Branca/Daniel Torok

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta sexta-feira (18) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) integrou um grupo terrorista ao planejar golpe em janeiro de 2022. A declaração ocorreu durante o anúncio de ações integradas entre os governo federal, estadual e municipal do Rio de Janeiro, na área de Segurança Publica.

O chefe do Executivo contestou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Para o petista, a definição se aplica a disputas pelo poder estatal.

“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da luta pela briga pelo poder. Quem era isso? Era o Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de janeiro. Isso é terrorismo. Pensando em matar Lula, Alckmin e matar até o Alexandre de Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, disse Lula.

A fala fez referência ao plano “Punhal Verde e Amarelo”, identificado pela Polícia Federal. Segundo as investigações, a elaboração do documento teve a participação do general da reserva Mario Fernandes, ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo Bolsonaro.

Apesar do contraponto a Donald Trump, o presidente equiparou a conduta das facções ao terrorismo contra populações periféricas.

“Estamos falando de terrorista na periferia. Porque esses bandidos são terroristas para a família que mora no bairro, para as pessoas que estão na escola, para as pessoas que querem dançar num baile qualquer na periferia, para as pessoas que têm que pagar pedágio por conta do gás, que têm que pagar pedágio por conta dos benefícios que o governo oferece. Esse é terrorismo”, afirmou.

O posicionamento ocorreu dois dias após o governo norte-americano enviar um documento ao Congresso dos Estados Unidos, na terça-feira (15), com críticas ao combate ao crime no Brasil. O relatório da Casa Branca afirmou que o país “falhou em confrontar” as duas facções, que transformaram o território nacional em centro de trânsito para o fluxo global de cocaína. Em maio, os Estados Unidos já haviam classificado os dois grupos como entidades terroristas.

Durante a agenda no Rio de Janeiro, o governo federal assinou convênios para asfixiar a logística do crime organizado e permitir a retomada de territórios. No evento, Lula também condenou a interferência de parlamentares na gestão das repartições públicas de segurança local.

“Aqui no Rio ficou uma coisa mais grave, porque o governador [Ricardo Couto] diz todo dia que todas as repartições aqui tinha um deputado que manda. Aliás, tem deputado que manda mais que uma repartição, tem deputado que manda em duas, três. Então, não pode dar certo”, declarou.