POLÍTICA


ACM Neto é apontado pela PF como principal elo em fraudes na Overclean, diz TV

Suspeita é que cacique do União Brasil tenha indicado ex-auxiliar à secretaria na Prefeitura de MG para favorecer empresários em licitações; ele nega irregularidades e vê tentativa de interferência em eleição na Bahia

Foto: Fundação Índigo

 

O ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) é considerado pela Polícia Federal o principal elo em fraudes investigadas na Operação Overclean, segundo a CNN Brasil. A apuração do jornalista Elijonas Maia trata de contratos da Educação de Belo Horizonte que somam cerca de R$ 80 milhões. ACM Neto nega irregularidades.

Segundo a emissora, a suspeita é que o ex-prefeito tenha indicado seu ex-secretário Bruno Barral para assumir a pasta homóloga na capital mineira e favorecer empresários em licitações. Na gestão de Barral, foram firmados três contratos com empresas de Alex Parente, por intermédio de José Marcos de Moura, conhecido como Rei do Lixo. Outros acordos também estão sob investigação.

A Polícia Federal pediu uma busca e apreensão sobre o candidato a governador da Bahia ACM Neto (União Brasil) no âmbito da 10ª etapa da Overclean, deflagrada na manhã desta quinta-feira (17), mas a medida foi negada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em nota, ACM Neto disse ver as diligências da PF como uma “tentativa de interferência” no processo eleitoral no que chamou de criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas, “através de vazamentos seletivos, que buscam associar indevidamente meu nome a situações que nunca tive envolvimento”.

De acordo com o portal UOL, os investigadores apuram a influência do União Brasil sobre indicações em troca de retornos ilícitos em contratações públicas. ACM Neto é vice-presidente nacional do partido.

Na representação da Polícia Federal, os investigadores destacaram que houve centenas de contatos entre ACM Neto e Marcos Moura, inclusive em um dia em que o empresário estava operacionalizando uma remessa de R$ 5 milhões em dinheiro vivo.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) havia dado um parecer favorável à busca e apreensão em Neto, mas o ministro Nunes Marques considerou que não havia base legal para a medida.

Deflagrada na quinta-feira (17), a décima fase da Overclean cumpriu 24 mandados em seis estados, incluindo Bahia e Minas Gerais. Barral, Moura e Parente estavam entre os alvos. A investigação alcança contratações de serviços e materiais didáticos realizadas em 2024 e 2025 e apura suspeitas de fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.