JUSTIÇA


Justiça de SP nega pedido de Lulinha para retirar vídeo de Flávio Bolsonaro

Juíza afirmou que não há, neste momento, elementos suficientes para comprovar a falsidade do conteúdo

Fotos: Reprodução/Redes sociais / Beto Barata/PL

 

A Justiça de São Paulo negou o pedido de liminar apresentado por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para retirar das redes sociais um vídeo publicado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que o relaciona às fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações são da CNN Brasil.

Na decisão, a juíza Alessandra Lopes Santana de Mello, da 41ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, afirmou que os documentos apresentados pela defesa não permitem, neste momento, confirmar a falsidade das informações divulgadas no vídeo.

“A prova documental carreada à inicial não permite aferir, nesse momento, a inveracidade do conteúdo do vídeo postado pelo primeiro réu nas redes sociais”, escreveu a magistrada. Segundo ela, também não havia nos autos elementos suficientes sobre as investigações mencionadas no processo que permitissem verificar a alegada ilicitude.

A juíza também destacou a necessidade de cautela antes de determinar a retirada da publicação, considerando o direito à liberdade de expressão e à crítica em assuntos de interesse público e político. “A questão merece ser apreciada com maior cautela e sob o crivo do contraditório, a fim de evitar cerceamento indevido à liberdade de expressão e ao direito de crítica, notadamente por recaírem tais direitos fundamentais sobre fatos que podem encerrar interesse público e político.”

Apesar de negar a retirada imediata do conteúdo, a magistrada determinou que X e Facebook preservem os dados relacionados às publicações, incluindo informações sobre alcance, visualizações, compartilhamentos, republicações e eventual impulsionamento ou publicidade paga. “Por ora, a presente determinação limita-se à preservação dos dados, ficando eventual exibição ou fornecimento das informações para ulterior deliberação.” Em caso de descumprimento, as plataformas poderão ser multadas em R$ 500 por dia, com limite de R$ 20 mil.

A ação foi apresentada pelo advogado Marcelo Pacheco, que representa Lulinha, e questiona o vídeo “Missão: Localizar Lulinha”, publicado no X e no Instagram. O conteúdo, que foi produzido com inteligência artificial, mostra Flávio como piloto de uma aeronave em busca do filho do presidente Lula, apresentado como “alvo”, e afirma que ele seria “suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil”.

A defesa argumenta que, embora o nome de Lulinha apareça em investigações, não há imputação de participação direta dele nas fraudes do INSS. “A roupagem humorística não elimina a natureza difamatória dessas imputações”, afirmaram os advogados.