ECONOMIA


Guerra no Irã e risco de El Niño elevam projeções para inflação dos alimentos a 7%

Economistas passaram a estimar alta impulsionada por custos de produção e transporte

Foto: Vitor Vasconcelos / Secom-PR

 

Economistas elevaram as projeções para a inflação dos alimentos em 2026 diante dos efeitos da guerra no Irã e da possibilidade de ocorrência do fenômeno climático El Niño no segundo semestre.

Estimativas de instituições financeiras consultadas pelo jornal Folha de S. Paulo apontam alta a partir de 7% nos preços da alimentação consumida em casa neste ano. Caso o cenário se confirme, será uma forte aceleração em relação a 2025, quando a inflação do grupo fechou em 1,43%.

Segundo analistas, o conflito no Oriente Médio pressionou os preços do petróleo, elevando os custos do transporte rodoviário feito com diesel. Além disso, o fechamento temporário do Estreito de Hormuz encareceu fertilizantes, o que pode impactar as próximas safras agrícolas.

Outro fator de preocupação é o possível retorno do El Niño, fenômeno associado a alterações climáticas que costumam afetar a produção agrícola e pressionar principalmente os preços de produtos hortifrutigranjeiros.

A consultoria 4intelligence projeta inflação de 7,7% para os alimentos consumidos em casa em 2026. Antes da guerra, a estimativa era de 3,7%.

A alimentação no domicílio integra o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação oficial do país. Atualmente, as projeções do mercado apontam alta de 5,09% para o índice geral em 2026, segundo o boletim Focus do Banco Central.

Para economistas, a combinação de custos mais elevados de produção, transporte e possíveis impactos climáticos cria um cenário de pressão adicional sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.