ECONOMIA


Idealizador de hotel de luxo no Palácio Rio Branco enfrenta ações judiciais e até dívida de R$ 335 mi com o Master

Empresário franco-americano Alexandre Allard enfrenta uma série de problemas financeiros que põem em xeque sua capacidade de executar o empreendimento

Foto: Divulgação de projeto

 

O empresário franco-americano Alexandre Allard, responsável pelo projeto que prevê a transformação do Palácio Rio Branco em um hotel de luxo no Centro Histórico de Salvador, enfrenta uma série de problemas financeiros e disputas judiciais que levantam questionamentos sobre sua capacidade de executar o empreendimento.

Criador da Cidade Matarazzo, complexo de alto padrão em São Paulo que abriga o Hotel Rosewood, Allard é alvo de cobranças de credores, fornecedores e investidores. Entre os principais impasses está um empréstimo de aproximadamente R$ 335 milhões contratado em 2024 no Banco Master, então controlado por Daniel Vorcaro.

Segundo informações veiculadas pelo jornal O Globo, o empresário deixou de pagar as duas primeiras parcelas do financiamento, de R$ 9 milhões cada, vencidas em fevereiro e março deste ano. O recurso foi utilizado para custear parte das obras da Cidade Matarazzo.

Como sua participação no empreendimento foi dada como garantia da operação, Allard pode perder fatia no negócio caso a dívida não seja regularizada. A beneficiada em uma eventual execução seria a chinesa CTF, sócia majoritária do complexo e controladora do Hotel Rosewood São Paulo, que possui preferência para adquirir a participação do empresário.

A relação com a CTF também se tornou alvo de disputa judicial. O grupo move uma ação de responsabilidade civil contra Allard, cobrando cerca de R$ 9 milhões por supostos prejuízos e despesas realizadas com cartão corporativo vinculado ao hotel.

Além dos conflitos com investidores, fornecedores ligados à Cidade Matarazzo acionaram a Justiça para cobrar pagamentos atrasados por serviços prestados em obras e eventos realizados no complexo. O empresário também enfrenta questionamentos relacionados ao projeto “Sua Rua”, iniciativa de revitalização urbana desenvolvida para o entorno da Cidade Matarazzo, que acumula atrasos e cobranças judiciais.

Outro processo envolve o empresário Marcos Elias, fundador da Empiricus. Conforme reportagem publicada pela revista Piauí, Elias recorreu à Justiça para cobrar uma dívida estimada em R$ 5 milhões após conceder um empréstimo de R$ 9,7 milhões a Allard.

O franco-americano também foi citado em relatos de ex-executivos ouvidos pela Piauí, que atribuíram a ele comentários considerados racistas e xenofóbicos. Entre os episódios mencionados está o uso da expressão “Macacoland” para se referir ao Brasil e aos brasileiros.

Allard reconheceu ter utilizado o termo, mas afirmou que a declaração foi feita em momentos de irritação com obstáculos enfrentados em seus negócios. Ele nega atitudes preconceituosas e afirma que sua trajetória empresarial está associada a pautas de diversidade, inclusão e preservação ambiental.

(Com informações do Metro 1 e jornal O Globo)