ECONOMIA


Banco Central diz que endividamento segue aumentando e consome renda das famílias

Com crédito caro e maior uso do cartão, comitê aponta para pressão crescente e risco de inadimplência

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (3) uma ata na qual alerta para o aumento do endividamento e o comprometimento de renda das famílias brasileiras.

No documento, o Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) a autoridade financeira afirma que o ambiente de taxa básica de juros contracionista, aliado ao elevado endividamento de famílias e empresas, requer cautela e diligência nas concessões de crédito. Também menciona que as empresas estão sentindo o aperto monetário, embora a maior parte das corporações demonstre resiliência.

“O endividamento e o comprometimento de renda das famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando. O contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento de renda”, alertou o comitê, afirmando que continuará aprofundando o debate sobre esse tema.

Na visão do Comitê, esse cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito.

Em março, últimos dados disponíveis, o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro oscilou para 49,8%, depois de repetir o pico da série histórica em fevereiro, quando chegou a 49,9%, segundo o BC.

Descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento permaneceu em 31,4%, mesmo nível em que estava em fevereiro.

O comprometimento de renda das famílias com dívidas foi de 29,3%. Sem contar os empréstimos imobiliários, 27%.

O governo lançou no mês passado o Desenrola Brasil, voltado para renegociação de dívidas das famílias. O programa permite a troca de dívidas em atraso no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia por um contrato mais barato, com taxas limitadas a 1,99% ao mês.

O pacote foi preparado pela equipe econômica com o objetivo de aliviar o orçamento das famílias com o pagamento das dívidas bancárias.

O endividamento é visto com preocupação pela equipe de Lula é apontado como um dos fatores para a queda de sua aprovação e seu desempenho nas pesquisas para a eleição de outubro, na qual buscará a reeleição.

Fala de Tiago Correia (União Brasil) foi feita nesta quinta (4), início de feriadão de Corpus Christi, quando o fluxo no sistema tende a aumentar