POLÍTICA


Otto Alencar critica Eduardo Bolsonaro e chama Zelle de ‘genérico do PIX’

Presidente da CCJ do Senado reagiu à defesa do sistema de pagamentos norte-americano e acusou ex-deputado de adotar postura contrária aos interesses do país

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

 

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar, criticou nesta sexta-feira (5) o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro após declarações em que ele citou o sistema de transferências norte-americano Zelle como argumento em negociações entre Brasil e Estados Unidos. Para Otto, o aplicativo é um “genérico do Pix” e a posição defendida pelo ex-parlamentar demonstra um “sentimento lesa-pátria”.

“É inacreditável o que diz o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Sabe o que é o Zelle? É o genérico do Pix. E ele quer, através de uma negociação, fazer com que o Brasil se renda aos Estados Unidos e não mantenha o Pix como é, um produto brasileiro e dos brasileiros. Absolutamente, isso é um sentimento de lesa-pátria”, disse.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que o Brasil não deve abrir mão do Pix, sistema criado pelo Banco Central do Brasil, para atender interesses externos. Otto também associou a postura de Eduardo ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o país precisa preservar seus interesses econômicos, culturais e democráticos.

A reação ocorreu após entrevista concedida por Eduardo Bolsonaro ao portal TMC News. Na ocasião, ele afirmou que os Estados Unidos possuem mecanismos semelhantes ao Pix, citando o Zelle como exemplo, e defendeu que esse argumento poderia ser utilizado pelo Brasil em eventuais negociações com autoridades norte-americanas.

O debate ganhou repercussão após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros e citar políticas de pagamento eletrônico do Brasil como um dos pontos analisados. O Pix tem sido mencionado por autoridades e especialistas em meio às discussões sobre concorrência no mercado de pagamentos digitais e relações comerciais entre os dois países.