POLÍTICA


Governo Lula defende soberania e critica família Bolsonaro após decisão dos EUA sobre CV e PCC

Anúncio do governo americano ocorreu dois dias após Flávio e Eduardo Bolsonaro articularem reunião na Casa Branca

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Ogoverno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta sexta-feira (29), integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após os Estados Unidos anunciarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A reação do Palácio do Planalto ocorreu dois dias após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) articularem uma reunião na Casa Branca, em Washington.

Em nota divulgada nas redes sociais, o governo acusou aliados do ex-presidente de incentivarem interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil e afirmou que o país já atua no combate às facções criminosas.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirmou o comunicado.

A gestão federal também argumentou que o terrorismo ligado ao crime organizado não deve ser confundido com ações motivadas por ideologias políticas, religiosas ou extremistas, associadas ao terrorismo internacional.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, acrescentou a nota.

O Planalto destacou ainda que o Brasil mantém cooperação com diversos países no enfrentamento ao crime organizado, incluindo os Estados Unidos. Segundo o governo, em abril deste ano foi apresentada ao Departamento de Estado americano uma proposta de parceria voltada ao compartilhamento de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e enfrentamento ao tráfico internacional de armas.

Apesar de defender a colaboração internacional, o governo brasileiro afirmou que não aceitará medidas unilaterais consideradas prejudiciais à soberania nacional.

“Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”, disse o texto.

Na avaliação do Planalto, medidas adotadas sem diálogo prévio podem afetar o compartilhamento de informações entre forças de segurança e provocar impactos econômicos no país.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros”, concluiu o governo.