POLÍTICA


Governo diz que fim da escala 6×1 pode fortalecer economia e reduzir adoecimento no trabalho

Ministro Paulo Pereira argumentou que avanço tecnológico e ganhos de produtividade permitem adoção do modelo 5x2 sem prejuízos ao comércio e aos serviços

Foto: Movimento Trabalho e Dignidade BH/Divulgação

 

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, falou na manhã desta quinta-feira (28), sobre o impacto do fim da escala 6×1 no comércio e no setor de serviços, defendendo que a sofisticação tecnológica e os históricos ganhos de produtividade das empresas permitem absorver a mudança sem perda de faturamento.

Questionado pelo MundoBA sobre os temores de pequenos comerciantes, o chefe da pasta argumentou que a digitalização e a automatização revolucionaram o varejo e que esse crescimento também precisa se reverter em qualidade de vida.

“A foto grande é de que essa medida vai impactar positivamente a economia e de que nós vamos cuidar dos setores afetados. Os empresários brasileiros tiveram grandes ganhos de produtividade [nas últimas décadas]. Esse ganho também precisa ser revertido ao trabalhador, ele não pode ser só para o campo empresarial”, afirmou o titular da pasta durante o programa “Bom dia, Ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Para o ministro, o argumento de que a redução de jornada prejudica o comércio ignora os benefícios diretos que o descanso traz para a própria operação das empresas, como a queda no absenteísmo e na rotatividade de pessoal. Ele destacou que o modelo atual adoece a força de trabalho e gera prejuízos invisíveis aos empresários.

“No ano passado, mais de 500 mil pessoas ficaram afastadas por problema de saúde. O que a gente percebe nas empresas que implementaram o 5×2? O afastamento por problema de saúde despenca. Além disso, o nível de assiduidade melhora muito, os trabalhadores não faltam mais. Você não precisa mais tanto demitir e contratar, consegue fixar o trabalhador”, afirmou.

O chefe da pasta rechaçou a ideia de que a proposta seja um experimento arriscado ou uma “jabuticaba” brasileira, citando os modelos de jornada vigentes nos Estados Unidos e na Europa como exemplos de sociedades saudáveis que conciliam tempo livre e desenvolvimento. Ele também recorreu à história econômica do próprio Brasil para demonstrar que o avanço dos direitos sociais nunca barrou o PIB.

“Nós não estamos fazendo uma ‘jabuticaba’. Os brasileiros que viajam para fora ficam encantados com a Europa, com os Estados Unidos. Eles fazem isso lá, é assim lá”, comparou.

O ministro também assegurou que a economia brasileira está madura e preparada para a transição, ressaltando o ciclo virtuoso que o bem-estar do trabalhador gera no mercado consumidor.

“O Brasil fez os direitos trabalhistas a partir dos anos 30. O que aconteceu com o Brasil dos anos 30 para cá, nesse quase um século? Saímos de um país que exportava café para um país que exporta avião. A economia brasileira só cresceu. E toda vez que você dá dinheiro, tempo e qualidade de vida ao trabalhador, isso volta para a economia brasileira”, concluiu.