POLÍTICA


Vereadora chama de ‘escândalo’ operação da PF sobre desvio de R$ 38,3 milhões na prefeitura

Entre os alvos estão Luciano Sandes, titular da Seman, e o vereador licenciado Gordinho da Favela (PP); gestão Bruno Reis (União Brasil) afastou ambos e diz que abrirá um procedimento administrativo para apurar as suspeitas

Foto: Reprodução/TV Bahia

 

A vereadora Marta Rodrigues (PT) chamou de escândalo a operação da Polícia Federal e do Ministério Público da Bahia que investiga um suposto esquema de fraudes que desviou R$ 38,3 milhões em licitações por meio da Seman (Secretaria de Manutenção da Prefeitura de Salvador) e da Desal (Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador). Para ela, o caso evidencia a gravidade das suspeitas e reforça a necessidade de uma apuração ampla e criteriosa sobre os fatos apurados.

“A dimensão do suposto prejuízo também lança luz sobre a necessidade de reavaliar outros contratos da administração municipal que, há anos, são alvo de questionamentos da oposição, muitos de valores elevados e, em muitos casos, pela dispensa de licitação. Os indícios divulgados até agora apontam que o suposto esquema pode ter se iniciado ainda em 2018, na gestão do então prefeito [ACM Neto], o que reforça a necessidade de uma apuração profunda”, afirmou Marta.

Segundo a PF e o MP, entre os integrantes do esquema está Luciano Sandes, titular da Seman, e do vereador licenciado George Carlos Reis Pereira, mais conhecido como Gordinho da Favela (PP). Ambos foram afastados sob suspeita de integrar uma organização criminosa com atuação há cerca de dez anos na estrutura municipal.

Em nota, a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) informou que cumprirá a determinação judicial de afastamento e vai colaborar com as investigações conduzidas. A gestão municipal informou também que abrirá um procedimento administrativo para avaliar se houve prejuízo financeiro aos cofres municipais.

Após a operação, a defesa de George Carlos afirmou que ele ainda não teve acesso aos autos da investigação e, por isso, desconhece os elementos que fundamentam a apuração. A reportagem não localizou a defesa do agora ex-secretário Luciano Sandes até a publicação deste texto.

Além do afastamento, o MP requereu as prisões preventivas do secretário, do vereador e de mais quatro pessoas. A Justiça, no entanto, rejeitou os pedidos.

Marta Rodrigues disse esperar uma investigação completa sobre os supostos desvios, a identificação da extensão do possível esquema e a responsabilização todos os envolvidos, caso as irregularidades sejam confirmadas.

“Mas é preciso ir além. Essa investigação também deve servir para lançar luz sobre outros contratos da prefeitura que despertam questionamentos constantes da oposição pelos valores vultosos, pela ausência de transparência e, em muitos casos, pela dispensa de licitação, exigindo o mesmo nível de fiscalização”, disse.

A vereadora chamou atenção para o fato de que, no mesmo dia em que a operação conjunta veio a público, o Thomé de Souza divulgou a contratação, sem licitação, de uma fundação para elaborar os projetos do teleférico da capital, empreendimento estimado em cerca de R$ 700 milhões.

“A coincidência dos dois fatos escancara os motivos de nossos constantes pedidos por mais transparência, estudos técnicos e diálogo com a Câmara Municipal. Não estou afirmando qualquer irregularidade no contrato do teleférico do prefeito no subúrbio, mas a contratação por dispensa de licitação, somada ao contexto revelado pela operação da Polícia Federal, causa estranheza e, justamente por isso, esse contrato também deve ser analisado pelos órgãos de controle, por envolver uma obra de grande porte e um investimento extremamente elevado. Transparência nunca é demais quando se trata de dinheiro público”, disse a petista.

A vereadora lembrou que a oposição cobra, há anos, mais publicidade, transparência e controle sobre as contratações da prefeitura.

“Que a investigação avance até as últimas consequências e que, paralelamente, todos os processos licitatórios e as contratações por dispensa de licitação da prefeitura, inclusive a do teleférico do prefeito no subúrbio, sejam analisados com o devido rigor. Quem administra dinheiro público deve estar preparado para prestar contas à sociedade”, acrescentou Marta.