POLÍTICA


Lula chama cobrança anunciada por Trump no Estreito de Ormuz de ‘pirataria’

Presidente brasileiro criticou a taxa de 20% sobre cargas que passam pela rota marítima

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta segunda-feira (13), a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma cobrança de 20% sobre as cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz. Durante agenda em São Caetano do Sul (SP), Lula classificou a medida como “pirataria” e afirmou que a iniciativa representa uma contradição da política norte-americana.

“Ele fez um tuíte dizendo que vai desobstruir o Estreito de Ormuz, mas que cada navio que passar terá que pagar 20% para ele. Isso antigamente chamava pirataria”, declarou.

Na sequência, o presidente afirmou que os Estados Unidos passaram décadas combatendo esse tipo de prática e que “não podem agora virar piratas”. Lula também responsabilizou o governo norte-americano pelo agravamento da crise no Oriente Médio.

Durante o discurso, o petista voltou a relacionar o conflito envolvendo o Irã aos impactos sentidos pela economia brasileira. Segundo ele, o aumento das tensões internacionais tem pressionado os preços dos combustíveis, com reflexos diretos sobre o custo dos alimentos.

“O preço da guerra está chegando no preço do feijão, do arroz, do tomate, da cebola, porque tornou o combustível mais caro”, afirmou.

Lula disse ainda que o governo federal elevou em 12% a tributação sobre a exportação do petróleo brasileiro como forma de reduzir os efeitos da alta internacional dos combustíveis no mercado interno.

“Nós aumentamos 12% no imposto para subsidiar os brasileiros para que o preço do feijão não suba por causa da guerra do seu Trump”, declarou.

Mais cedo, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos passarão a cobrar um pedágio de 20% sobre toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz. Em publicação na rede Truth Social, o presidente norte-americano afirmou que o país assumirá o papel de “guardião do Estreito de Ormuz” e justificou a medida como uma forma de custear a operação de segurança na rota marítima.

Trump também anunciou a retomada do bloqueio a navios e clientes iranianos e afirmou que pretende intensificar as ações militares contra o Irã após o fracasso das negociações entre os dois países.