POLÍTICA


Proibição de apostas gera fuga de capitais e migração para mercado ilegal

Levantamento analisa 11 países e aponta aumento de sites clandestinos após vetos; Supremo Tribunal Federal (STF) debate o tema na terça-feira (3)

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

 

​O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) editou uma Medida Provisória (MP) para proibir as plataformas de apostas no país e determinou o encerramento das operações em 30 dias. A decisão gerou ações na Justiça sobre a viabilidade e os efeitos da regra. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, agendou uma audiência pública para a próxima terça-feira (3) com a meta de avaliar os impactos do veto no cenário nacional.

​Nesse contexto, um levantamento da entidade Ranking dos Políticos avaliou as experiências de 11 países com restrições ao setor, a exemplo de China, Estados Unidos, Índia, Suíça e Noruega. O documento aponta a perda de arrecadação, o avanço do mercado clandestino e a saída de capitais em todos os locais pesquisados.

​As normas adotadas pelos governos variam da proibição total da atividade às restrições em publicidade. O relatório demonstra a insuficiência das políticas estatais para acabar com a prática. Os consumidores mantêm o hábito e transferem o fluxo financeiro para empresas estrangeiras.

​Na China, cerca de US$ 307 bilhões saíram ilegalmente do país em um único ano para apostas no exterior. A Indonésia registrou depósitos de 12 milhões de pessoas em plataformas ilegais no último ano, apesar da queda na movimentação de apostas online. Na Índia, após a proibição de jogos online em dinheiro, em 2025, aproximadamente um em cada três usuários passou a usar plataformas estrangeiras.

​O diretor de operações do Ranking dos Políticos, Luan Sperandio, resumiu a dinâmica do mercado após as proibições. “Entre as descobertas, nota-se que a proibição reduz a oferta legal, mas não elimina a demanda, que migra para sites estrangeiros e clandestinos”, disse o diretor.