POLÍTICA


PF investiga venda de avião de Ciro Nogueira a empresário que recebeu R$ 1 mi de Vorcaro

Senador foi procurado, mas não respondeu; comprador diz que adquiriu a aeronave em 2023

Fotos: Edilson Rodrigues/Agência Senado e Esfera Brasil/Reprodução

 

A Polícia Federal investiga se o senador Ciro Nogueira (PP-PI) vendeu um avião para o empresário Netinho Lins, segundo o colunista Fábio Serapião, do portal UOL. De acordo com a publicação, Lins é amigo de Ciro Nogueira e de outros integrantes do centrão, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Arthur Lira (PP-AL).

Como mostrou o próprio UOL, na mesma época em que Ciro Nogueira vendeu a aeronave para o empresário, Daniel Vorcaro repassou R$ 1 milhão para uma empresa em nome de Netinho Lins.

Os repasses no total de R$ 1 milhão da Entre Investimentos para a Dubem Business foram efetuados entre 15 de julho e 3 de setembro de 2024. Eles foram informados à PF por um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

A Dubem afirma que o dinheiro foi para a “criação, produção, consultoria, desenvolvimento e execução do projeto Will Bank Festival”. O festival não chegou a sair do papel.

Ciro Nogueira foi procurado, mas não respondeu.

Sobre a compra da aeronave, Netinho Lins afirmou que ela foi “formalizada sob o regime de reserva de domínio, modalidade em que a transferência de propriedade só pode ser averbada após a quitação integral do valor previsto contratualmente.”

O UOL teve acesso a parte do relatório e apurou que os desdobramentos do documento indicam mais transações suspeitas sobre esse tema.

Em nota, a Dubem Business informou que a aquisição da aeronave “não guarda qualquer relação com os recursos recebidos pela Entre Investimentos; prova disso é que a aquisição da aeronave ocorreu em 2023, enquanto os serviços prestados pela Dubem para a Entre Investimentos, voltados à criação, produção, consultoria, desenvolvimento e execução de um projeto musical de abrangência nacional, ocorreram em 2024”.

Procurado, o Grupo Entre, de Antônio Carlos Freixo Júnior, disse que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”.