POLÍTICA


Produtora de ‘Dark Horse’ contratou membro do PCC em projeto da gestão Ricardo Nunes, diz polícia

Defesa de preso que acumula condenações nega elo com facção; Gestão Nunes diz que relação jurídica para implantação de wi-fi ocorre exclusivamente com instituto

Imagem: Divulgação

 

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo informa que o ICB (Instituto Conhecer Brasil), da empresária Karina Gama, contratou uma empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos, 40, para instalar pontos de wi-fi em favelas da capital paulista. Segundo órgãos de inteligência da polícia, o empresário é membro relevante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado.

Karina Gama ganhou projeção como dona da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse” (azarão, em inglês), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O nome da empresária também passou a ser alvo de questionamentos em razão de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A polícia investiga se parte dos recursos do contrato com a Prefeitura de São Paulo foi desviada para a produção da obra, o que a defesa dela nega com documentos.

De acordo com Folha, foi nesse projeto com o município que a empresa de Santos, a Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., foi subcontratada pelo ICB por até R$ 12 milhões para implantação de 2.000 pontos de wi-fi em comunidades das zonas oeste e sul da capital paulista. Um extrato obtido pela Folha aponta o pagamento de R$ 2 milhões em 7 de julho de 2025.

Na ficha policial de Santos constam ao menos três condenações por roubo, que o levaram a passar por 13 presídios em quase 13 anos no sistema. As condenações somam 34 anos.

A defesa dele nega ligação com a facção criminosa. O instituto de Karina diz que desconhecia vínculos da empresa contratada, mas ressaltou que ela estava regular e não havia impedimento legal. A Prefeitura de São Paulo afirmou que sua relação jurídica ocorre exclusivamente com o instituto.

De acordo com a administração municipal, a Favela Conectada não atua como parceira do ICB, no âmbito do Programa WiFi Livre, desde dezembro de 2025. A SMIT diz que não há, nem houve, vínculo contratual direto entre município e a empresa ou seu administrador.

“Portanto, qualquer associação entre a Prefeitura de São Paulo e o crime organizado é irresponsável e leviana”, diz trecho da nota encaminhada pelo município.

Ainda segundo a resposta oficial, a relação jurídica da prefeitura ocorre exclusivamente com o ICB, entidade responsável pela execução da parceria. Cabe à organização parceira a contratação, gestão e fiscalização de seus fornecedores e eventuais subcontratados.