ECONOMIA


Banco Central prevê crescimento de 2% para o PIB em 2026

Inflação pode subir no fim deste ano e cair até 2028

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

O BC (Banco Central) revisou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A atualização consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25) e reflete, principalmente, o desempenho acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, além de perspectivas mais favoráveis para a agropecuária e a indústria extrativa.

Entre janeiro e março, a economia avançou 1,1% em relação ao último trimestre de 2025, com crescimento nos setores de agropecuária, indústria e serviços. Diante desse cenário, o BC elevou suas estimativas para a atividade econômica, o consumo das famílias e os investimentos privados.

Segundo a autoridade monetária, a revisão também leva em conta a maior força da demanda interna e de segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico, impulsionados por medidas fiscais e de crédito. Por outro lado, a expectativa de juros ainda elevados tende a limitar parte desse avanço.

O relatório também detalha as perspectivas para a inflação e a política monetária. Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano, após três reduções consecutivas promovidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Mesmo com a desaceleração da inflação observada nos últimos meses, o BC avalia que os efeitos do conflito no Oriente Médio seguem gerando incertezas para a economia, especialmente por meio do impacto nos preços de combustíveis e alimentos.

A instituição projeta que a inflação continuará acima do teto da meta ao longo de 2026 e só deverá recuar em 2027. A probabilidade de o índice ultrapassar o limite de 4,5% no próximo ano subiu de 30% para 79% em comparação com a previsão divulgada em março.

Entre os fatores que pressionam as projeções inflacionárias estão a alta recente do IPCA, o aumento dos preços do petróleo e de outras commodities, além da elevação das expectativas de inflação. Em contrapartida, a valorização do real e a manutenção de juros elevados ajudam a reduzir parte dessas pressões.

No mercado de crédito, o BC manteve em 9% a expectativa de crescimento do saldo total de empréstimos em 2026. Houve, porém, ajustes nas projeções: o crédito livre teve estimativa reduzida para 7,8%, enquanto o crédito direcionado passou a ter previsão de crescimento de 10,7%.

Para as famílias, o desempenho deve ser influenciado por programas federais como o Move Brasil e o Novo Desenrola Brasil. Já no segmento empresarial, o crédito direcionado deve ser impulsionado por iniciativas voltadas às micro e pequenas empresas, como mudanças nas regras do Pronampe.

Apesar desse cenário, o Banco Central prevê desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo. Em 2025, o saldo das operações cresceu 10,3%, abaixo dos 11,5% registrados em 2024. Segundo a instituição, esse movimento está alinhado à expectativa de crescimento moderado da economia e aos efeitos da política monetária em um contexto de elevado endividamento das famílias e empresas.