POLÍTICA


PF diz que Jaques Wagner trocou 74 ligações com ex-sócio do Banco Master

Investigação afirma que senador manteve contato frequente com Augusto Lima entre 2023 e 2025 e cita mensagens, reuniões e possíveis tratativas sobre interesses da instituição financeira

Foto: Alessandro Dantas / PT no Senado

 

A Polícia Federal informou que o senador e pré-candidato à reeleição, Jaques Wagner (PT) e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando cinco horas e 30 minutos de conversa.

Segundo a PF, o vínculo do petista com Augusto Lima aproximou o parlamentar de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e criou canais para tratar de pautas legislativas e operações de interesse do Master.

As informações constam em documentos tornados públicos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso, na quinta-feira (30).

De acordo com a Polícia Federal, existem indícios de que Wagner recebeu vantagens econômicas de gestores do Master em possível contrapartida à atuação parlamentar em temas de interesse da instituição.

Informações sobre o Master

Ainda conforme a PF, as conversas mostram que Augusto Lima mantinha Wagner informado sobre negócios e avanços do Master.

O ex-sócio do banco noticiava o petista sobre mudanças na estrutura acionária, melhora na nota de crédito da instituição, negociações com o BRB e movimentações no Senado relacionadas ao banco.

O senador respondia as mensagens com emojis de “joinha” e “mãos em oração”.

Além disso, a PF descreve reuniões entre Wagner e Augusto Lima no gabinete do senador. No mês de abril de 2024, o parlamentar tentou marcar um encontro com Augusto e uma pessoa chamada “Messias”, identificada pela PF como uma possível referência ao advogado-geral da União, Jorge Messias.

Em áudio enviado a Augusto Lima, o senador diz que o gabinete seria um local “mais protegido e discreto” e apresentou uma logística para que ele entrasse sem passar pela identificação.

Defesa de Wagner

Jaques Wagner se defendeu das acusações na manhã desta sexta-feira (31), afirmando que as investigações servem para “afastar a culpa”.

“O [meu] advogado e o pessoal de imprensa pedem para nem falar sobre isso. Dizem tudo que se está sendo investigado, é direito seu [Jaques] ficar em silêncio, mesmo diante da imprensa. Então peço até desculpa, ele pede para não falar. Mas vou citar uma frase no texto do ministro André Mendonça, que diz: ‘o inquérito, a investigação, serve até para afastar a culpa’, afirmou em entrevista à rádio Baiana FM.

“Então, eu tenho certeza de que vou provar minha inocência. O inquérito, evidentemente, demora um tempo. Eu agora estou focado na eleição. Temos dois meses para a eleição. Sábado vai ser a nossa convenção com a presença do [presidente] Lula”, disse o senador do PT.