POLÍTICA


‘Não precisamos ser tutelados pelos EUA’, diz vereadora sobre classificação do CV e PCC como organizações terroristas

Segundo Aladilce Souza (PCdoB), ameaça dos grupos criminosos precisa ser enfrentada pelo governo brasileiro de forma autônoma

Foto: Divulgação/Victor Queirós

 

Em entrevista ao MundoBA nesta segunda-feira (1°), a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) fez críticas à classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.

Em resposta às falas do ex-presidente Michel Temer, que apoiou a colaboração entre Brasil e EUA e afirmou que “a soberania que interessa é a tranquilidade do brasileiro”, a ouvidora-geral da Câmara Municipal de Salvador (CMS) defendeu a capacidade do Estado para lidar com as questões de segurança nacional.

“Em primeiro lugar, eu acho que é preciso deixar claro que o governo brasileiro, as forças políticas, as instituições brasileiras têm condição perfeita de garantir a tranquilidade e resolver os problemas que nós temos na área de segurança”, afirmou.

Souza ressaltou que, embora seja de caráter prioritário, a questão da segurança pública deve ser tratada de forma autônoma pelo governo brasileiro. “Nós precisamos enfrentá-los [problemas de segurança] e não precisamos ser tutelados pelos Estados Unidos. Não podemos admitir uma tranquilidade a qualquer preço, que é o que transparece na fala do ex-presidente Michel Temer”, declarou.

“O que interessa é tranquilidade, mas nós precisamos de uma tranquilidade que seja garantida principalmente pelas nossas instituições e que não haja ingerência dos Estados Unidos aqui. Não precisamos que Trump venha dizer o que que a gente precisa fazer”, completou.

A vereadora ainda afirmou que a classificação representa uma narrativa falsa, criada pelo governo Trump para expandir a influência dos Estados Unidos no Brasil. Ela enfatizou que defensores da soberania nacional não devem permitir intervenções na política interna da nação.

“[Classificar os grupos narcotraficantes como terroristas] É falso, é um artifício que ele [Trump] está procurando para invadir, para fazer ingerências aqui no nosso país. Quem garante, quem defende a soberania brasileira verdadeiramente, não pode admitir nenhuma ingerência dos Estados Unidos na nossa política, nas nossas questões internas. É óbvio que a gente pode precisar de ajuda, de cooperação de qualquer país, mas é preciso ser demandado pelo governo e pela pelas instituições brasileiras”, argumentou.

O governo dos Estados Unidos anunciou a inclusão das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas do país nesta quinta-feira (28). A decisão foi divulgada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e entra em vigor a partir do dia 5 de junho.

Ao comentar a medida, Rubio afirmou que as facções brasileiras estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e destacou a atuação dos grupos para além do território nacional. Segundo ele, o PCC e o CV comandam milhares de integrantes e são responsáveis por ataques contra policiais, agentes públicos e civis.