POLÍTICA


Lula critica uso de IA nas eleições e diz que não aceitará ferramenta em campanha

Presidente defendeu restrições impostas pelo TSE e afirmou que políticos precisam “olhar nos olhos do povo”

Foto: Wallison Breno/PR

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14) as restrições ao uso de inteligência artificial nas eleições e afirmou que não pretende utilizar esse tipo de ferramenta em sua campanha política. A declaração foi feita durante evento do programa Minha Casa Minha Vida, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.

Ao comentar a resolução aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral, Lula disse que políticos precisam manter contato direto com os eleitores e criticou a possibilidade de uso de conteúdos artificiais durante campanhas. “Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu não aceitará IA para fazer campanha política, porque, se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos dele, para saber quem está mentindo”, afirmou.

O presidente também citou exemplos de manipulação digital e disse que a inteligência artificial pode ser usada para criar situações falsas durante o período eleitoral. “Se a gente quiser, pode fazer o Lula artificial, fazer comício em 27 estados ao mesmo tempo. Eu estou lá, mas não estou”, declarou.

Lula afirmou ainda que a ferramenta tem importância em áreas como saúde, educação e tecnologia, mas questionou o uso no contexto eleitoral. Segundo ele, o recurso pode favorecer a disseminação de mentiras e dificultar a identificação do que é verdadeiro durante a campanha.

A resolução do TSE aprovada em março proíbe a publicação, republicação e impulsionamento de conteúdos produzidos por inteligência artificial nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas após o pleito. A norma também impede plataformas de priorizarem candidatos ou campanhas por meio de sistemas de IA.