POLÍTICA


Deputado diz que médicos da rede estadual relatam atraso salarial e pedidos de demissão

“Como pode ter R$ 26 bilhões em empréstimos e não pagar?”, questiona Alan Sanches (União Brasil); gestão Jerônimo (PT) e sindicato da categoria não responderam 

Foto: Divulgação/Assessoria

 

O vice-líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia, Alan Sanches (União Brasil), afirmou ter recebido relatos de médicos de que o governo Jerônimo Rodrigues (PT) tem atrasado salários de profissionais de saúde dos hospitais regionais de Juazeiro, Irecê e Porto Seguro, além da UPA do Cabula, em Salvador, unidade administrada diretamente pela gestão estadual. Ao mencionar o caso, ele falou sobre o gargalo na fila de regulação e também criticou o volume de empréstimos que já totalizam R$ 26 milhões contratados em pouco mais de dois anos e nove meses do atual mandato petista.

Procurados, a Sesab (Secretaria de Saúde da Bahia) e o Sindimed (Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia) não posicionamento. O texto será atualizado caso haja respostas.

Na semana passada, o líder da oposição, Tiago Correia (PSDB), e outros 18 deputados do bloco protocolaram no TCE (Tribunal de Contas do Estado) e no MP-BA (Ministério Público da Bahia) pedidos de investigação sobre a quantidade de empréstimos requeridos sob Jerônimo.

“Como pode um governo que já pediu R$ 26 bilhões em empréstimos não pagar os profissionais médicos de saúde? Isso é um absurdo. É por isso que todos os dias, pelo menos 1.200 pacientes estão na tela da regulação esperando por atendimento. É um absurdo o que está acontecendo na Bahia”, discursou Sanches durante a sessão desta segunda-feira (1º), quando o governo conseguiu aprovar mais um empréstimo de R$ 2 bilhões, após oito horas de obstrução da bancada de oposição.

De acordo com o deputado, obstetras do Hospital de Porto Seguro pediram demissão coletiva por falta do pagamento, enquanto médicos do Hospital da Mulher receberam metade do vencimento de agosto. O valor de outubro ainda não foi depositado, conforme Sanches, que é medico.

O parlamentar diz, no entanto, que a situação é crítica em Porto Seguro, onde a prefeitura precisou aprovar um projeto de lei na Câmara de Vereadores para ceder insumos ao Hospital Regional para evitar a interrupção de serviços básicos.

Em Itabuna, continua Sanches, há queixas sobre a falta de pagamentos ao fornecedor de materiais ao Hospital de Base, que está há mais de 860 dias sem receber os itens.

“Com essa crise instalada, como podemos achar que a famigerada fila da regulação vai acabar? Não é possível que o Estado abra hospitais e não consiga pagar o salário dos profissionais da saúde. Isso tudo leva a uma bola de neve que só tende a crescer”, disse Sanches.

“Por outro lado, o governador continua viajando todos os dias e fazendo centenas de promessas, assinando ordens de serviço de obras que não saem do papel. Depois de 20 anos de PT, esse é o legado que deixam para a Bahia.”