POLÍTICA


Alvo da PF, Jaques Wagner garante que relação com Daniel Vorcaro é ‘praticamente zero’

Senador afirmou que encontrou o ex-dono do Banco Master apenas duas vezes e negou ter atuado como intermediário em indicações

Foto: Roque de Sá/ Agência Senado

 

Alvo de mandados de busca e apreensão da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que sua relação com o empresário Daniel Vorcaro é “praticamente zero” e que os dois únicos encontros com ele ocorreram em razão de negócios envolvendo o empresário Augusto Lima e a empresa CredCesta.

“A minha relação com o Daniel Vorcaro é praticamente zero. Eu nunca tive maiores entendimentos com o Daniel. O entendimento foi na venda do CredCesta. O Augusto Lima comprou o CredCesta, na verdade a rede de supermercado, junto com o fundo espanhol. Depois ele procurou um banco para poder ter fluxo de caixa e fazer os empréstimos”, afirmou em entrevista à BandNews.

Segundo o senador, o primeiro encontro com Vorcaro teria ocorrido quando o então banqueiro passou a integrar uma sociedade com Augusto Lima. Já a segunda, durante uma conversa sobre a composição da área jurídica do Banco Master em que sugeriu a indicação do ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

“Aí que entra o Banco Máxima, na época, e depois o Banco Master. Eu estive com o Daniel apenas duas vezes: uma vez quando ele veio se apresentar, porque estava entrando de sócio do Augusto Lima na questão do CredCesta, e a segunda vez quando o Augusto Lima me pediu uma indicação porque ele queria melhorar o nível do banco, ele criou uma indicação para a jurídica do banco. Ele já tinha contratado Gustavo Loyola, no Conselho de Administração para a Parte Econômica, e ele queria alguém na área jurídica. O ministro Lewandowski tinha acabado de se aposentar do Supremo por conta dos 75 anos. Eu disse: ‘Olha, eu acho que não tem pessoa melhor’. Foi a segunda vez que eu vi quando eu fui apresentar o ministro Lewandowski para eles. Só essas duas vezes não tem nenhuma relação com o Daniel Vorcaro”, detalhou o líder do governo no Senado.

Wagner também negou ter participado de qualquer aproximação entre o Banco Master e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo ele, a indicação feita foi apenas de Lewandowski, que acabou atuando como consultor jurídico da instituição.

“Consultei o ministro [Lewandowski] através de pessoas minhas e o ministro disse: ‘Não, não quero ir para o conselho. Se ele quiser eu posso ser o consultor jurídico do Banco Master’ e foi o que ele foi contratado. Eu nunca apresentei Guido Mantega ao pessoal do Banco Master, não sei por qual caminho eles chegaram ao Guido Mantega.”

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao Banco Master. Nesta fase, a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Entre os alvos estão Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima.