MUNDO


EUA chamam de ‘absurda’ preocupação do Itamaraty sobre possível ação militar no Brasil

Após Mauro Vieira citar risco de uso da força por causa da classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, governo norte-americano afirma que medida visa apenas combater a atuação das facções em território americano

Foto: Daniel Torok/White House

 

O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como “absurdo” a preocupação do Itamaraty com uma possível ação militar dos EUA no Brasil devido à classificação do PCC E CV como organizações terroristas pelos norte-americanos.

De acordo com informações do Metrópoles, a Casa Branca disse que a medida tem como único objetivo combater a atuação das facções brasileiras em solo americano e negou qualquer relação com uma eventual intervenção no Brasil.

“Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos e vamos defender nosso povo contra elas”, disse o governo norte-americano.

“Alegações vagas sobre uma suposta intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e dar suporte a alguns dos grupos mais violentos do mundo”, acrescentou.

Preocupação do Itamaraty

Em um documento enviado à Câmara dos Deputados, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, admitiu que teme que os Estados Unidos utilizem a força militar no Brasil por conta da classificação do Comando Vermelho (CV) e do PCC como organizações terroristas.

No documento, o Itamaraty admite que a decisão dos EUA de classificar as duas facções como terroristas pode resultar em uma ação militar em território brasileiro.

“A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional“, diz Vieira.