JUSTIÇA


‘Só haverá justiça se estrutura do crime for totalmente desmantelada’, diz viúva de Marielle

STF começa a julgar mandantes do assassinato de vereadora e do motorista Anderson nesta terça-feira (24)

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

Mônica Benício, viúva da vereadora assassinada Marielle Franco, disse nesta terça-feira (24) que só haverá justiça plena no caso, quando a estrutura que possibilitou o crime for totalmente desmantelada.

“O caso da Marielle é emblemático, porque mostra para gente uma estrutura que se relaciona intimamente com o mundo obscuro entre a política, a polícia e o crime organizado no nosso país”, disse Mônica na entrada do Supremo Tribunal Federal (STF), na manhã desta terça-feira (24), ao chegar para o julgamento do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes.

Mônica, os pais, a irmã e a filha de Marielle Franco, Luyara Franco Santos, chegaram à Suprema Corte, em Brasília, acompanhados da viúva do motorista Anderson Gomes, Agatha Reis. Eles assistirão juntos ao julgamento dos mandantes do assassinato ocorrido em 2018, no Rio de Janeiro.

A Primeira Turma do STF julgará os réus Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ); Chiquinho Brazão, ex-deputado federal e irmão de Domingos; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; Ronald Alves de Paula, major da Polícia Militar; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos estão presos preventivamente por suspeita de participação no crime.

O esperado é que a votação para decidir pela condenação ou absolvição dos acusados dure até esta quarta-feira (25), devendo seguir o rito padrão para todos os julgamentos que ocorrem no Colegiado.

Para a viúva do motorista Anderson Gomes, o Brasil tem a obrigação de mostrar que o Estado alcança quem também ordena crimes.

“Justiça não é um sentimento, é um processo, ela precisa ser concreta. Oito anos é praticamente a vida inteira do nosso filho. Ele já está há mais tempo sem o Anderson do que com o Anderson. É tempo demais para quem espera por resposta”, disse Agatha Reis. Com informações da Agência Brasil.