JUSTIÇA


Advogado da família de Mãe Bernadete diz entender adiamento do júri, mas lamenta

Para Hédio Silva, iniciativa da defesa tem legitimidade, mas gera grande frustração para opinião pública que espera resposta do Judiciário

Foto: Walisson Braga/Conaq

 

O adiamento do júri popular do caso Mãe Bernadete é uma decisão correta do ponto de vista jurídico, disse o advogado da família da vítima, Hédio Silva Jr., em coletiva de imprensa na frente do Fórum Ruy Barbosa, onde o julgamento iria acontecer nesta terça-feira (24). A nova data é 13 de abril.

“É uma frustração para a família, uma frustração para a sociedade. Eu não posso atacar a decisão da magistrada, ela agiu corretamente. Agora, não deixa de ser uma frustração para a opinião pública que espera uma resposta do Judiciário”, disse Hédio Silva.

Segundo a juíza do caso, Gelzi Maria Almeida, os réus, Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos, eram assistidos pela Defensoria Pública. No entanto, durante a semana, eles passaram a ser representados por advogados particulares, que disseram não ter tido acesso às provas do processo. Por isso, pediram adiamento da sessão para analisar material.

Arielson é réu confesso, enquanto Marílio, que é acusado de ser o mandante e chefe do tráfico de drogas no local, está foragido.

Sobre o caso

Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia, Bernadete foi executada por se posicionar contra a expansão do tráfico no quilombo de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, e pela retirada da barraca de propriedade de Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, que era usada para comércio de drogas. No dia do crime, 17 de agosto de 2023, estavam na casa também três netos dela, de 12, 13 e 18 anos. Os criminosos os isolaram em um quarto.

Os outros três denunciados são Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, que serão julgados posteriormente.

“Pena máxima”

O advogado Hédio Silva Jr., que representa a família de Mãe Bernadete na acusação, diz que as provas materiais trazidas pela investigação são “robustas”, tanto em relação às evidências encontradas logo após o crime, quanto àquelas coletadas a partir de rastreamento de mensagens e interceptações dos telefones roubados na comunidade. “As perícias foram muito bem feitas”, disse. Os autos do processo têm mais de 2,5 mil páginas.

O criminalista defende que o crime é quadruplamente qualificado, e os réus podem ser condenados a mais de 35 anos de prisão. “Nós vamos pedir pena máxima certamente”, afirmou.