ELEIÇÕES


Brasil registra 1 caso de violência política a cada 9 horas no 1º turno

Estudo aponta 134 episódios na campanha eleitoral, aumento de 40% em relação a 2022, com mulheres candidatas concentrando a maioria dos ataques

Foto: Agência Brasil/Arquivo

O Brasil registrou 134 casos de violência política durante os 50 dias da campanha para o primeiro turno das eleições deste ano, entre 16 de agosto e o último domingo (4). O resultado equivale a uma ocorrência a cada nove horas e representa alta de 40% em comparação com o pleito de 2022.

Os dados integram a 4ª edição do estudo Violência Política e Eleitoral no Brasil, elaborado pelas organizações Justiça Global e Terra de Direitos, que acompanham o cenário desde 2016. No primeiro turno de 2022, a pesquisa contabilizou 121 episódios em 63 dias, com média de 1,92 fato por dia, ante 2,68 no período recente.

“A violência não pode ser tratada como parte natural da disputa eleitoral. Quando ameaças e ataques são usados para intimidar candidaturas, impedir atividades de campanha e silenciar propostas, o direito à participação política é diretamente afetado”, afirma a diretora-executiva da Justiça Global, Glaucia Marinho.

O levantamento categorizou os casos em ameaçam (64), ofensa (33), agressão física (19), atentado (11), criminalização (5) e assassinato (2). Do total de 134 ocorrências, a maioria (102 ou 76%) visou pessoas com candidaturas registradas.

Outros 32 episódios atingiram alvos de fora da disputa diretas: 19 vereadores, 3 prefeitos, 1 vice-prefeito e 2 secretários. A pesquisa também lista quatro agressões a dirigentes partidários e duas contra sedes do PT em Macapá e Campina Grande e a equipe de uma candidata.

As mulheres foram as vítimas mais frequentes e somaram 70 dos 134 episódios (52%). Embora representem cerca de um terço das candidaturas (35%, segundo o TSE), elas concentraram quase seis em cada dez ataques contra concorrentes (60 dos 102 casos contra candidatas cisgênero, trans e travestis).

O mapeamento identificou marcadores discriminatórios em 53 agressões contra mulheres, com prevalência de machismo ou misoginia (45 casos), racismo (9) e transfobia (5). As sete ameaças de violência sexual catalogadas afetaram exclusivamente mulheres.

Já os homens foram alvo de todas as 12 ocorrências com uso de armas de fogo e dos dois assassinatos registrados. As deputadas federais Erika Hilton (PSOL), Thabatta Pimenta (PV) e Natália Bonavides (PT) e a governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) sofreram três episódios cada uma durante o período eleitoral.

“Enquanto os homens são atacados por sua atuação política, mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam também o racismo, o machismo e a transfobia que estruturam a sociedade brasileira. Quando essas formas de discriminação se cruzam, elas se reforçam e ampliam as barreiras à participação política, tornando ainda mais difícil o acesso e a permanência desses grupos nos espaços de poder”, declara Glaucia Marinho.

As organizações realizam a checagem com base no monitoramento diário de reportagens jornalísticas. As informações passam por cruzamento sistemático com registros oficiais e denúncias públicas.