ECONOMIA


Obesidade custa até R$44,6 bilhões por ano aos cofres públicos do Brasil, diz estudo

Valor pode ultrapassar R$60,5 bilhões até 2033

Foto: Reprodução/Unsplash

 

A prevalência do sobrepeso ou obesidade pode ter um custo equivalente a R$ 41,7 bilhões e R$ 44,6 bilhões por ano aos cofres públicos brasileiros, o equivalente a 2% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, segundo uma análise conduzida pelo Instituto Cordial, realizador do Painel Brasileiro da Obesidade.

O valor pode ultrapassar R$60,5 bilhões até 2033, de acordo com o levantamento, financiado pela Novo Nordisk, farmacêutica que produz as canetas Ozempic e Wegovy.

A análise cruzou microdados da última edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de 2019, com variáveis de gênero, idade e mortalidade para medir o peso da obesidade em três frentes: custos no sistema de saúde, reflexos na renda e empregabilidade no mercado de trabalho e o impacto fiscal nas contas do governo.

O maior bloco trata dos custos de saúde associados à doença e suas comorbidades, que alcançam R$29,56 bilhões anuais. Em seguida, vem a perda de arrecadação tributária, estimada em R$9,94 bilhões, dos quais R$7,35 bilhões são em impostos diretos, e R$2,59 bilhões em indiretos.

Gastos com invalidez somam R$6,05 bilhões por ano, considerando que mais de 240 mil aposentadorias no Brasil estão associadas às condições.

Dentro do sistema público de saúde, os custos diretos associados à obesidade já ultrapassam R$1,89 bilhão ao ano. Do total, R$911,6 milhões correspondem a internações hospitalares e R$983,8 milhões, a gastos com medicamentos.

Luís Fernando Villaça Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial, diz que esse valor, na verdade, chega a R$29,56 bilhões se forem avaliadas outras doenças associadas à obesidade, como hipertensão, diabetes e dislipidemias, e os custos associados a elas.

Cada ponto adicional no Índice de Massa Corporal (IMC) médio da população representa um custo extra de R$387,3 milhões ao sistema público de saúde por ano, afirma o estudo.

Pesquisas avaliadas pelos autores apontam que, em 2022, o Brasil gastou cerca de R$3,4 bilhões com doenças crônicas não transmissíveis associadas a sobrepeso e obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS), com destaque para doenças cardiovasculares, respiratórias e neoplasias.

O estudo conclui que investir em prevenção e tratamento é uma estratégia fiscal, não apenas sanitária. Para os autores, pequenas reduções na prevalência da doença têm efeito imediato nas contas públicas: cada 1% de queda nos índices de obesidade gera uma economia de R$444,6 milhões por ano.

Para que esse cenário seja alcançado, Meyer reforça a necessidade do investimento em políticas públicas. “A obesidade já está sendo entendida como doença e tem que ser tratada no contexto da saúde pública. Então, sua resposta vai no caminho de o que a gente tem que fazer na saúde pública.”