BRASIL


Lula diz para Trump ‘não se meter’ na eleição no Brasil

Instantes antes da declaração, Trump criticou eleição no país e saiu em defesa da família Bolsonaro

Fotomontagem: Valter Campanato/Agência Brasil e Shealah Craighead/White House

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu críticas feitas por Donald Trump contra o Brasil e insistiu que não vai aceitar que haja ingerência na eleição no país. O petista afirmou que Trump “tem o direito de ter as preferências eleitorais dele”, mas espera que o presidente dos EUA “não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”.

Lula também ironizou a preferência de Trump pela família Bolsonaro, declarando que “gosto não se discute” e sugeriu que Trump “não se meta nas eleições do Brasil, porque são problema do Brasil”. Numa coletiva de imprensa nesta quarta-feira (17), em Genebra, Lula insistiu que não falou com Trump durante a cúpula do G7 por conta da existência de uma negociação comercial em curso, neste momento.

No entanto, instantes antes da declaração, Trump criticou a eleição no Brasil em uma outra coletiva de imprensa e saiu em defesa da família Bolsonaro. “Eu acho que ele (Trump) conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, rebateu Lula.

Lula lembrou que Jair Bolsonaro já está preso e que o que o governo quer agora é que bolsonaristas que estão nos Estados Unidos também sejam detidos. “Eu entreguei para ele (Trump) a fotografia e o endereço da casa que essas pessoas estão em Miami que eles poderiam entregar para a gente. Isso é combater o crime organizado”, insistiu.

Para Lula, os EUA poderiam aprender com o Brasil sobre como realizar “eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas”. O presidente elogiou a urna eletrônica e afirmou que, da próxima vez que estiver com Trump, levará o sistema para que ele conheça.

Lula também comentou sobre as medidas adotadas pelo americano contra o Brasil. “O que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil”, disse. “Ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador”, insistiu. Lula garantiu que a negociação continua e que entregou ao americano documentos sobre o crime organizado e a ação da Polícia Federal.