ECONOMIA


Aluguel ultrapassa inflação e reforça pressão no mercado residencial

Avanço dos preços mantém pressão sobre inquilinos em meio a juros elevados; Nordeste lidera valorização

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

 

Um levantamento do Índice FipeZAP aponta um crescimento de 0,85% nos aluguéis de imóveis em maio, resultado que, embora represente desaceleração frente à alta de 1,04% registrada em abril, continua acima da inflação e da valorização dos imóveis residenciais no período.

Com isso, o aluguel acumula alta de 4,40% nos cinco primeiros meses de 2026, superando tanto a inflação oficial medida pelo IPCA, de 3,20%, quanto a variação do IGP-M, considerado o índice do aluguel, de 3,79%. Nos últimos 12 meses, os contratos de locação residencial registram valorização média de 8,68%, quase o dobro da inflação acumulada no período, de 4,72%.

Os números reforçam uma tendência observada desde o início do ciclo de alta dos juros. Com o crédito imobiliário mais caro e o financiamento mais restrito, parte das famílias adiou a compra da casa própria e permaneceu no mercado de aluguel, aumentando a demanda por imóveis para locação.

Em maio, o reajuste dos aluguéis também ficou acima da alta de 0,42% registrada nos preços de venda dos imóveis residenciais, segundo o FipeZAP. O movimento mostra que, embora o mercado imobiliário continue se valorizando, a pressão está mais concentrada no segmento de locação.

O destaque do ano continua sendo o Nordeste. Entre as capitais monitoradas, Aracaju registra a maior alta acumulada de aluguel em 2026, com avanço de 15,24% entre janeiro e maio. Campo Grande aparece na sequência, com valorização de 11,58%, seguida por Manaus, com 11,40%. Também se destacam João Pessoa, com alta de 7,09%, Rio de Janeiro com 6,84%, Fortaleza (6,48%), Goiânia (5,96%) e Brasília (5,82%).

São Paulo permanece como o mercado de locação mais caro do país entre as capitais acompanhadas pelo levantamento FipeZAP. Em maio, o valor médio anunciado chegou a R$64,67 por metro quadrado. Na sequência aparecem Recife, com R$63,64, Belém (R$63,27), Florianópolis (R$60,93) e Rio de Janeiro (R$59,08).

Considerando todas as cidades monitoradas, o aluguel residencial médio atingiu R$53,35 por metro quadrado. Do ponto de vista do investidor, o mercado de locação continua oferecendo rentabilidade relevante.

Segundo o FipeZAP, o retorno médio anual do aluguel residencial foi estimado em 6,11% ao ano em maio. Os imóveis de um dormitório continuam apresentando o melhor desempenho, com rentabilidade média de 6,77% ao ano. Entre as capitais, Recife lidera o ranking de retorno, com yield de 8,54% ao ano, seguida por Cuiabá (8,31%), Belém (8,29%) e Manaus (8,27%).

Apesar da rentabilidade permanecer abaixo do retorno projetado para algumas aplicações financeiras de renda fixa, os números mostram que o aluguel continua sendo uma importante fonte de geração de renda para investidores imobiliários, conforme o estudo.