ECONOMIA


Gestoras abandonam “Kit Brasil” e correm para o dólar antes do Copom, mostra XP

Levantamento mostra que 80% dos fundos migraram para posição comprada na moeda americana

Foto: Divulgação/Pixabay

 

A pesquisa da XP com gestoras multimercados mostra uma mudança de posicionamento em relação a juros, dólar e Bolsa nas vésperas da decisão sobre a taxa Selic do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada nesta quarta-feira (17).

Se, em abril, 100% dos gestores mantinham posições vendidas em dólar, marcando “o maior consenso já registrado na série histórica”, agora, em junho, 80% dos fundos estão comprados na moeda americana e apenas 20% seguem apostando na sua queda.

Em relação aos juros, 84% das gestoras apostam em redução de 0,25 ponto percentual na Selic, indo a 14,25%, enquanto 16% espera a manutenção em 14,5%. A pesquisa foi feita entre 8 e 12 de junho com 25 gestoras, antes, portanto, da divulgação do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

O intervalo entre as reuniões do Copom mostra como as mudanças no fluxo de capital global podem alterar rapidamente as estratégias dos multimercados. Se, em abril, a economia levava as gestoras a aumentar as apostas no “kit Brasil”, com recomendações em bolsa brasileira, valorização do real, e calibragem de juros, em junho o ambiente se inverteu.

As posições compradas em real recuaram de 91% para 31%, enquanto as posições vendidas saltaram de 9% para 69%. Para os analistas da XP, essa migração de ativos “não se trata de resistir a um teste de convicção, mas de reconhecer uma possível mudança de regime de fluxo”.

A mudança ocorreu no momento em que os investidores globais se concentravam em financiar o setor de Inteligência Artificial, puxando as bolsas asiáticas para cima, e o mercado brasileiro caía, perdendo para outros países emergentes.

Além disso, o cenário doméstico piorou com a alta do petróleo, que ressuscitou o medo da inflação e manteve as expectativas de juros altos, em meio à tensão de um ano eleitoral.